segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

À espera de Romeu

A Editora Gutenberg está anunciando para breve (20 de janeiro) o lançamento do segundo livro da série iniciada com Nove Noites e um Sonho de Outono (Wondrous Strange), de autoria de Lesley Livingston, traduzido por mim e minha irmã Angela. O título é À espera de Romeu (Darklight, no original).

AedRomeu

Mais sobre o lançamento no site da editora, aqui. Comentários meus sobre essa série, aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Tese online!

Minha tese de doutorado, A “Epopeia do Comércio”: Os lusíadas na tradução de William Julius Mickle, foi catalogada e está disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP, aqui.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Flusser Studies n. 20!

Parabéns à revista acadêmica Flusser Studies pelo seu décimo aniversário e lançamento do número 20, com a publicação de artigos de vários especialistas em Flusser, como Rainer Guldin, Gustavo Krause, Andreas Ströhl, Michael Hanke, Eva Batlicková e vários outros. Fico muito feliz de ter contribuído para este número com meu artigo Há futuro para a tradução na sociedade pós-histórica, acompanhado de sua tradução para o inglês, Does Translation Have a Future in the Post-Historical Society?

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Català

Quem me apresentou à língua catalã foi meu amigo Caio Leonardo. Naquela época, nos anos 80, existia no centro de São Paulo, perto da Praça da República, a Livraria Duas Cidades, que vendia livros em galego e catalão. (Sim: esta cidade já foi mais rica e mais interessante do que é! Triste decadência!)

Certo dia Caio me convidou para passear por lá, e foi um deslumbramento. Ele comprou um livro em catalão que me emprestou logo em seguida. Era Les Històries Naturals, de Joan Perucho, uma história de vampiro, publicada em 1960. Fiquei com o livro vários anos, mas não cheguei a lê-lo inteiro – limitava-me a folhá-lo e a encantar-me com aquela língua, que, além da óbvia semelhança com o castelhano, às vezes se parecia com o francês, outras vezes com o português, ainda outras vezes com o italiano e de vez em quando não se parecia com nenhuma língua latina. Minha mãe, sempre mais corajosa do que eu em matéria de leituras em língua estrangeira, leu o livro inteiro, e ficou tão apaixonada pela língua que comprou um dicionário de castelhano-catalão.

O tempo passou e, embora eu jamais tenha perdido o fascínio pela língua catalã, apenas agora surgiu-me a oportunidade de dar mais um pequeno passo em direção a esse universo não tão distante. Estou fazendo um curso de língua e cultura catalãs para iniciantes oferecido pelo Serviço de Cultura e Extensão Universitária da FFLCH-USP. É um curso bem curto, de apenas 8 ou 9 aulas de duas horas, mas é um começo! Primeiros passos.

domingo, 18 de outubro de 2015

Uma Talvez Dra. Cláudia

Pois é, gente, agora sou doutora! Na quinta-feira, dia 15 de outubro, Dia do Professor, defendi minha tese de doutorado, A “Epopeia do Comércio”: Os Lusíadas na Tradução de William Julius Mickle e fui aprovada. Foi um excelente debate, a Banca fez comentários muito interessantes e me deu algumas sugestões que penso em incorporar na versão corrigida da tese.

Aqui estão algumas fotos.

A Banca foi composta, da esquerda para a direita na foto, pelos professores John Milton, Viviane Veras, Ana Elvira Luciano Gebara e José Garcez Ghirardi, com a Profa. Lenita Esteves, minha orientadora, ao centro:

Abraço da orientadora:

Quem quiser ver mais fotos, pode clicar aqui.

E aqui estão as fotos postadas pelo Prof. John Milton.

domingo, 13 de setembro de 2015

Às minhas fãs somente

Guian de Bastos e Guilherme Purvin lançaram recentemente o quarto volume da série Velho Império sem Czar. O título é Às minhas fãs somente. O livro inclui, como bônus, A turminha do Sacomã.

às minhas fãs somente

Esta é a sinopse fornecida pelos autores:

4º volume da saga "Velho Império sem Czar", o romance "Às minhas fãs somente" constitui a versão de Mirna Faras Alnabi e sua fiel escudeira Daiane Kelly sobre as causas e consequências dos trágicos acontecimentos ocorridos naquela fatídica noite de XI de Agôsto de um ano qualquer do distante Século XX.

Na minha opinião, é o livro mais divertido da série até agora.

Um aspecto que eu gostaria de destacar é que os livros não precisam ser lidos na ordem em que foram lançados. Pode-se lê-los em qualquer ordem. O quarto livro pode ser adquirido na Amazon, aqui.

Após o lançamento do segundo livro da série Velho Império sem Czar eu escrevi uma resenha para a série, que foi publicada no terceiro livro da série. Acho que esta é uma boa ocasião para postar essa resenha aqui. Vou mudar de fonte para dar destacar melhor o texto:

A série Velho Império sem Czar, criada por Guian de Bastos e Glautúrnio Polenta, radicaliza a estrutura narrativa estilo Rashomon: em vez de apenas quatro pontos de vista diferentes, a mesma – mas será que é realmente a mesma? – história é narrada a partir de oito pontos de vista. Cada um dos componentes da banda Velho Império sem Czar (Flamínio, Aguirre, Fred, Mirna, Ruth, Soraya, Desiratta e Guedes) narra, em seu estilo próprio, os fantásticos acontecimentos de uma semana em São Paulo, em um mês de agosto de um ano incerto deste mesmo século, quando membros e simpatizantes da O., uma organização em defesa da causa ambientalista, preparam-se para enfrentar as tenebrosas falanges da agromáfia. Entremeados a esses acontecimentos, há outros eventos narrados em flashback, que remetem a um ano qualquer do século passado, quando esses oito personagens eram ainda estudantes. Entre muitas outras peripécias, há um assassinato, sequestros, metamorfoses, um disco voador, grandes paixões e longas reuniões políticas.

Após o primeiro volume, A Batalha das Libélulas, narrado sob o ponto de vista de Flamínio Formica, segue-se este segundo, intitulado A Queda de Babilônia, apresentando a versão de Aguirre Lousada. O leitor da série talvez se sinta, como me senti, mais à vontade com este segundo livro, não apenas porque já conhece, em certa medida, os eventos narrados, como porque já está mais familiarizado com o estilo da narrativa. Em A Queda de Babilônia há mais interação entre os personagens – Aguirre está sempre conversando com Soraya, Valquíria ou algum outro amigo, o que ajuda o leitor a captar melhor as diferenças de psicologia ou comportamento das diversas personagens. Diferentemente do primeiro livro, centrado em Flamínio – que se mostrava, como o próprio Flamínio, mais volúvel, irrequieto e voltado para a ação –, este livro centrado em Aguirre é mais intimista, refletindo as dúvidas e inseguranças do personagem. Até este ponto da série, os autores souberam trabalhar os diferentes pontos de vista de forma magistral. Temos, assim, uma espécie de polifonia fragmentada, em que, a cada livro, uma das vozes se sobressai e dá o tom da narrativa, enquanto as demais se ocultam.

Não é fácil escrever uma resenha tradicional para uma série nada convencional. Principalmente porque há um fator que torna essa tarefa quase impossível para mim. É que… eu estava lá. De certa forma. (Não sei bem qual.) Não, não creio que eu seja personagem dessa série, mas, de alguma forma, Guian e Glautúrnio estão retratando o ambiente em que vivi durante meus anos de juventude, em determinado ponto do século passado. Reconheço não apenas vários cenários e acontecimentos, mas partes de diálogos e pensamentos. Então eu falo de um ponto de vista privilegiado, e posso dizer que os autores criaram uma narrativa a partir de elementos retirados do “real”, mas distorcidos de modo peculiar. Em suma: a Valéria não é bem a Valéria, e talvez nem seja mesmo a Valéria. O Bar do Ernani não é bem o Bar do Ernani, se é que vocês me entendem, e nem mesmo o Aphrodite’s Child é o Aphrodite’s Child que vim a conhecer na minha adolescência. Há, é claro, referências que não reconheço – e são muitas. A série não deixa de ser um grande quebra-cabeças – muito divertido e muito divertidamente enigmático. Algumas peças com certeza acabarão se encaixando ao final da série, mas outras provavelmente teimarão em permanecer “inencaixáveis”.

Poder-se-ia falar, talvez, em surrealismo – que é, sem dúvida, uma das influências no trabalho de Guian e Glautúrnio. O surrealismo de um Kurt Vonnegut Jr., Douglas Adams ou mesmo Kafka, em que conseguimos discernir elementos do real e que às vezes nos fornece um retrato mais fiel da realidade do que o mais obstinado realismo. Só que essas palavras – “fiel”, “realidade”, “realismo” – deveriam vir entre aspas, pois há muito – desde Freud, Nietzsche e Marx, ou talvez desde Kant – aprendemos a desconfiar dessa tal “realidade”. Nada mais contemporâneo do que essa sensação de estranhamento diante do mundo, que se reflete no próprio discurso. Nesse sentido, a série Velho Império sem Czar é uma obra radicalmente contemporânea (distópica, apocalíptica, anárquica), que lida com o absurdo com muita naturalidade e quebra expectativas com a mesma alegria com que os gregos quebram pratos nos restaurantes – com certeza ao som do Aphrodite’s Child.

sábado, 12 de setembro de 2015

Novo artigo publicado

Foi publicado recentemente um artigo meu no vol. 54 da revista Trabalhos em Linguística Aplicada, da UNICAMP. O artigo se chama “Os Lusíadas na tradução de William Julius Mickle: a reencenação de uma translatio studii et imperii”.

Aqui está o resumo:

The Lusiad; or, The Discovery of India, a tradução de Os lusíadas de Camões feita pelo poeta escocês William Julius Mickle, publicada na Inglaterra em 1776, fez sucesso em sua época e no século que se seguiu, sendo até hoje a mais lida e citada entre todas as traduções poéticas de Os lusíadas para o inglês. Este artigo procura demonstrar que a tradução de Mickle (e os elementos paratextuais que a acompanham) é uma reencenação da teoria medieval da translatio studii et imperii (a transferência não apenas do poder imperial, mas também do conhecimento e da cultura do leste para o oeste). Mickle adaptou a epopeia camoniana para o público britânico do final do século XVIII, rotulou-a como "A Epopeia do Comércio" e acrescentou paratextos de cunho ideológico. Manipulando o poema original tanto poética quanto ideologicamente, Mickle transformou Os lusíadas em uma narrativa a serviço do Império Britânico e contribuiu, como outros "poetas do comércio" que celebraram o crescimento da riqueza e poder da Grã-Bretanha, para forjar uma identidade poética e cultural para o Império Britânico.

Palavras-Chave: tradução e ideologia; manipulação; Estudos da Tradução

Aqui está o link para o vol. 54 da revista, onde vocês encontrarão vários artigos interessantes sobre diversos assuntos relacionados à linguística, inclusive sobre tradução e educação.

E aqui está o link para quem quiser baixar o pdf do meu artigo.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Visita ao Instituto Butantan

Vocês acreditam que, mesmo sendo fascinada por cobras, lagartos e aranhas, eu nunca havia ido ao Instituto Butantan? Pois agora fui! Tirei mais de 100 fotos, mas vou postar apenas algumas aqui.

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No Museu Histórico havia esta bela escrivaninha com um telefone antigo. Me senti muito velha, pois cheguei a usar telefones desse tipo quando era pequena.

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Um trechinho do “mosaico temático” na frente do Museu Histórico:

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Quem quiser ver mais algumas fotos, clique aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Wondrous Strange = Nove Noites e um Sonho de Outono

Finalmente foi publicado o primeiro livro da trilogia Wondrous Strange, da Lesley Livingston, que minha irmã e eu traduzimos! O lançamento é do Grupo Autêntica, da Editora Gutenberg. Vocês podem ler o anúncio aqui. Houve uma mudança no título que havia sido sugerido inicialmente, mas, sem problemas: nós (as tradutoras) gostamos do novo título, que alude à peça de Shakespeare abordada no livro (Sonho de uma noite de verão).

Vocês podem ler os meus comentários anteriores sobre essa série aqui.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014!

Adoro cartões antigos, e este, de 1908, com o seu tema de viagem maritima, me pareceu especialmente adequado para postar no meu blog. Encontrei-o aqui, neste sítio de fotografias de alta qualidade e gratuitas.

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Que o novo ano traga muitas felicidades a todos os leitores deste blog e muita sorte (haja ferradura e porquinho) para que possamos realizar mudanças que tornem este país e este mundo menos desiguais…

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Artigo meu na “Tradução & Comunicação” (n. 26)

Saiu o número 26 da revista Tradução & Comunicação, com artigos interessantes abordando diversos temas ligados à tradução. A revista está disponível online, e vocês podem fazer o download de todos os artigos como arquivos pdf.

Posto aqui o resumo do meu artigo, “A 'Epopéia do Comércio': Os Lusíadas no Império Britânico do Século XVIII”:

Este artigo discute, à luz dos conceitos de reescrita, manipulação literária e patronagem de André Lefevere, alguns aspectos da tradução de Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões, feita pelo poeta escocês William Julius Mickle. Essa tradução, publicada na Inglaterra em 1776, alcançou uma popularidade jamais igualada por outras traduções de Os lusíadas para o inglês. Pretende-se mostrar, pela exposição de alguns dados referentes à situação em que essa tradução foi realizada e por meio de alguns exemplos comparando o original e a tradução, que as profundas transformações (acréscimos, omissões, adaptações etc.) efetuadas por Mickle em relação ao original se articulam às condições históricas, sociais e econômicas de produção dessa tradução, assim como às normas culturais da época, uma fase de transição entre o Neoclassicismo augustano e o Romantismo. Mickle adaptou Os lusíadas para o público britânico do final do século XVIII, acrescentando paratextos de cunho ideológico, rotulando a epopeia camoniana como “A Epopeia do Comércio” e manipulando o poema original tanto no aspecto poético quanto ideológico. Dessa forma, Mickle transformou Os lusíadas em uma narrativa a serviço do Império Britânico.

É o primeiro artigo que publico sobre meu tema de doutorado, uma espécie de resumo de alguns tópicos que serão abordados em minha tese.

Um artigo cuja confecção eu acompanhei de perto é “'Andrea, ma così chi ti legge?': a linguagem de Camilleri e suas (im)possíveis traduções”, de minhá amiga Solange Peixe Pinheiro de Carvalho, que é agora a primeira pós-doutoranda na nova área de “Estudos da Tradução” da FFLCH-USP. Embora ainda não tenha lido nenhum livro do Camilleri, sou fã da série de TV Il Commissario Montalbano, que já comentei aqui, e acho fascinante a pesquisa de dialetos feita pela Solange.

domingo, 20 de outubro de 2013

Fotos da 1a. Mostra Internacional de Arte Seilá

O evento foi uma delícia! Aqui vão algumas fotos.

Os livros de minha autoria, Vilém Flusser: a Tradução na Sociedade Pós-Histórica, Um Balde (escrito em parceria com Guian de Bastos e Eugênio Barata) e Vidró (escrito em parceria com Guian de Bastos); e a série Pañcatantra, traduzida pela minha mãe, Maria da Graça Tesheiner, junto com Marianne Erps Fleming e Maria Valíria Aderson de Mello Vargas:

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Nossa mesa de autógrafos:

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Marina Gonçalves De Bonis montando o painel com seus desenhos:

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Os outros autores – Luiz Oliveira, relançando Iroko: o Deus do Tempo, e Guian de Bastos e G.P. Figueiredo, lançando O Advogado que Entrou no Armário, terceiro volume da série Velho Império sem Czar:

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Mais fotos aqui.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

1a Mostra Internacional de Arte Seilá

Pra começar, o nome é perfeito: “Seilá” expressa muito bem toda a concepção desse evento, as suas potencialidades e, mais ainda, as expectativas que suscita. O que é inegável é aquela sensação indefinível de que algo vai ser.

Os participantes que eu conheço, por exemplo, são geniais. Vou mencionar apenas alguns porque, na verdade, este vai ser um evento de dimensões imprevisíveis…

Guian de Bastos e G. P. Figueiredo, que lançarão O Advogado que Entrou no Armário, terceiro volume da coleção Velho Império sem Czar;

Marina Gonçalves De Bonis, desenhista, autora das ilustrações da série Velho Império sem Czar, irá expor alguns de seus trabalhos – vocês podem ver uma pequena amostra aqui;

Luiz Oliveira, o autor de Tank e Wang sob o Domínio dos Plutopatas sem Noção Sedentos por Flatorfina, estará relançando seu livro mais recente, Iroko – o Deus do Tempo;

Maria da Graça Tesheiner, uma das tradutoras da coleção de fábulas sãnscritas Pañcatantra, estará autografando o último livro da coleção, lançado recentemente;

e, sim, vou me incluir no quadro, quase à maneira de Velázquez, embora eu escape à definição de “genialidade” com que rotulei os participantes acima. Eu, Cláudia Santana Martins, estarei lá, autografando meu livro Vilém Flusser: a tradução na sociedade pós-histórica e, quem sabe, algumas outras obras pré-pós-históricas…

Outras pessoas maravilhosas estarão lá, mas elas são misteriosas e eu não saberia como falar delas no momento. Tudo o que eu posso dizer é: esse evento é imperdível. Seilá.

Data: 19 de outubro (sábado), a partir das 17h
Local: Espaço dos Parlapatões – Praça Roosevelt, 158. São Paulo

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Advogado que Entrou no Armário (Velho Império sem Czar)

Tenho ótimas notícias hoje: O Advogado que Entrou no Armário. terceiro volume da série Velho Império sem Czar, escrita por Guian de Bastos e G. P. de Figueiredo, será lançado na 1a Mostra Internacional de Arte Seilá, no dia 19 de outubro, a partir das 17h, no Espaço dos Parlapatões, Praça Roosevelt, 158, São Paulo  (falarei mais sobre esse evento nos próximos dias).

advogado capa

Texto da contracapa:

A agromáfia domina o país. Seus tentáculos alcançam a produção de transgênicos, margarina, produtos light, pesticidas e música country. Para conter o inexorável processo de entomologização antropocêntrica, é imprescindível superar os limites das leis da termodinâmica e da seta do tempo. Mas quem estaria disposto a retornar à época da ditadura militar para construir uma organização de resistência? Repleto de testosterona e outros hormônios indefinidos, “O advogado que entrou no armário” é a pungente confissão de Fred, o advogado que abandonou filha, companheiro e cãozinho para, com o auxílio dos deuses, investigar e combater as ardilosas maquinações da agromáfia, trazendo luzes à investigação histórica sobre as causas e consequências daquele pindura no dia XI de Agôsto de um ano qualquer do século passado.

(Se você quiser saber mais sobre a série Velho Império sem Czar, tenho uma série de postagens aqui.)

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lançamento do último livro da coleção Pañcatantra

A festa de lançamento do terceiro e último livro da coleção Pañcatantra, traduzida por minha mãe, Maria da Graça Tesheiner, junto com Marianne Erps Fleming e a Profa. Dra. Maria Valiria Aderson de Mello Vargas, será na Livraria da Vila da Alameda Lorena (n. 1731), no dia 5 de outubro (sábado), das 15h às 18h.

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Sobre o Pañcatantra:

“Ao perceber que esta era a essência de toda a ciência política do mundo, Vishnusharman elaborou este cativante tratado em cinco partes.” (Pañcatantra, Livro I, Prólogo)

O Pañcatantra (“Cinco Tratados”) é uma coleção de fábulas compiladas em sânscrito no início da Era Cristã. Essas cinco partes – cinco livros, ou cinco tratados – têm o objetivo de instruir jovens príncipes sobre a complexidade do comportamento humano. A análise dos temas que se entrelaçam é conduzida pelas histórias que se encaixam e pelas sentenças gnômicas intercaladas.

Os cinco livros que constituem o Pañcatantra são independentes em conteúdo e desiguais em extensão (o primeiro livro é bem mais extenso do que os outros). Por isso, as tradutoras da série, Maria da Graça Tesheiner, Maria Valíria Aderson de Mello Vargas e Marianne Erps Fleming, dividiram a publicação da obra numa série de três volumes:

1º. volume - Livro I (A Desunião de Amigos);
2º. volume - Livros II (A Aquisição de Amigos) e III (A História dos Corvos e das Corujas);
3º. volume - Livros IV (A Perda do Bem Conquistado) e V (A Ação Impensada).

O terceiro e último volume, agora lançado, vem completar a série. O Livro IV alerta para a possibilidade da perda do que se ganhou, enquanto o Livro V, para a necessidade de não se agir precipitadamente. A par do caráter moralizante dos ditados e provérbios presentes na estrutura das fábulas, a multiplicidade de opiniões a respeito de cada tema aponta para o fato de que não há verdades absolutas na sabedoria tradicional.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

“Highlights” do XI CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRAPT e V CONGRESSO INTERNACIONAL DE TRADUTORES

  • Em primeiro lugar: a tradução simultânea e interpretação para a Libras das palestras, mesas-redondas, alguns simpósios e – o que mais me surpreendeu e encantou - das apresentações musicais. Em especial: foi uma experiência fascinante ter a minha comunicação traduzida/interpretada para a Libras.
  • Gostei da conferência de Judith Woodsworth. Eu não sabia do envolvimento de Gertrude Stein com (pseudo?)-traduções. Fiquei com vontade de ler Three Lives (que seria baseado nos Três Contos de Flaubert – um livro que admiro muito).
  • Gostei muito da mesa-redonda sobre a tradução de Shakespeare – principalmente da parte da Profa. Marcia A. P. Martins (PUC-RJ) sobre a adaptação das obras de Shakespeare para mangá.
  • O simpósio de que participei, Paratextos: Visibilidade, tradução e discurso, foi de alto nível e propiciou discussões interessantes – uma delas sobre o uso de notas de rodapé por parte do tradutor. Em sua instigante comunicação, Gustavo Althoff (PGET/UFSC) defendeu o uso das notas, junto com o de outros peritextos, nas traduções de obras de filosofia. Francisco César Manhães Monteiro, por outro lado, criticou o uso pedante das notas por parte de alguns tradutores.
  • Acompanhei parcialmente outros quatro simpósios: História e Historiografia da Tradução I – Brasil; História e Historiografia da Tradução II – Outros Países; Tradução Literária; e A tradução como espaço do provisório e do intraduzível: relações de tempo e espaço entre as línguas. No simpósio Tradução Literária foi discutida a dificuldade em se conseguir que as editoras brasileiras aceitem a tradução de dialetos ou o uso de diálogos mais próximos da oralidade. No simpósio A tradução como espaço do provisório e do intraduzível: relações de tempo e espaço entre as línguas também se discutiu o uso de notas de rodapé. Alguns participantes se declararam a favor, outros contra, mas parece haver uma unanimidade no sentido de se reivindicar uma maior autonomia do tradutor na decisão de incluir notas ou não. Nesse simpósio, achei especialmente interessante a comunicação da Profa. Dra. Viviane Veras (IEL-UNICAMP), que falou sobre “o intraduzível” – um de meus temas prediletos.
  • Apesar de todas essas palestras, mesas, comunicações e discussões interessantes, o melhor mesmo de todo congresso acadêmico é encontrar amigos, colegas e estabelecer novos contatos. Nesse aspecto, esse Congresso da ABRAPT foi altamente positivo, pelo menos pra mim.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

XI Congresso Internacional da ABRAPT e V Congresso Internacional de Tradutores

Estou começando a fazer as malas para ir ao XI Congresso Internacional da ABRAPT e V Congresso Internacional de Tradutores, na UFSC, em Florianópolis.

Vai ser um congresso poderoso! Aqui vocês podem baixar o folder, mas nesse folder só estão os eventos maiores, como palestras, mesas e shows. Há também 63 simpósios, e mais os pôsteres.

Vou participar do Simpósio Paratextos: Visibilidade, tradução e discurso, coordenado por Francisco César Manhães Monteiro e Pablo Cardellino Soto. Apresentarei a comunicação A “Epopeia do Comércio”: peritextos a uma tradução de Os lusíadas. Eis aqui o resumo da comunicação:
Este trabalho discute, à luz dos conceitos de paratexto e peritexto de Gérard Genette, os peritextos escritos pelo poeta escocês William Julius Mickle à sua tradução de Os lusíadas, publicada na Inglaterra em 1776. As profundas transformações (omissões, acréscimos, adaptações etc) operadas no original por essa tradução relacionam-se não só às condições culturais, mas também sociais históricas e econômicas de sua produção. Com habilidade, Mickle montou um verdadeiro “pacote” para apresentar a tradução, rotulando o poema de Camões como a “Epopeia do Comércio” e acrescentando vários textos prefaciais: um ensaio em defesa da expansão marítima; uma história do descobrimento da Índia; uma história da ascensão e queda do Império Português no Oriente; uma biografia de Camões; uma dissertação sobre a poesia épica; uma dissertação sobre a ficção da Ilha dos Amores; e cerca de 680 notas. O estudo desses peritextos contribui para o desvelamento das ideologias subjacentes à elaboração dessa tradução, a mais popular entre todas as traduções para o inglês de Os lusíadas até hoje.
Até a volta!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Voltando à década de 90 (séries/seriados de TV)

Assisti à minissérie britânica House of Cards (1990) e suas duas sequências, To Play the King (1993) e The Final Cut (1995). É um drama político temperado com aquele humor britânico cheio de sutileza, refinamento e sarcasmo. Há  muitas referências a Macbeth e Ricardo III de Shakespeare. O anti-herói Francis Urquhart, representado magnificamente por Ian Richardson, conversa frequentemente com o telespectador, o que cria uma cumplicidade entre ambos, por mais sórdido que possa ser o comportamento de Urquhart. É brilhante.

Tenho assistido também, sempre que consigo um episódio, ao seriado italiano Il Commissario Montalbano, baseado nos livros de Andrea Camilleri com esse detetive (Salvo Montalbano). Como a minha compreensão da língua italiana não é perfeita, tenho acompanhado com legendas em inglês (o seriado vem sendo feito desde 1999, mas a BBC só começou a transmiti-lo no ano passao). Por enquanto só vi os episódios mais antigos, de 1999 a 2005. O seriado foi me conquistando aos poucos, com seu ritmo lento e personagens secundários que vamos conhecendo e apreciando mais a cada episódio. O personagem Catarella, em especial, com sua fala tipicamente siciliana, é deliciosamente divertido.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Murphy (Beckett)

Meu amigo Milton Ohata, da Cosacnaify, me enviou um exemplar do romance Murphy, de Beckett, em tradução do Prof. Fábio de Souza Andrade, da FFLCH-USP. A edição é muito bonita.

Não vou poder ler tão cedo, mas, assim que terminar, comentarei aqui no blog. Beckett sempre me fascinou. Pode parecer um oxímoro, mas ele me traz uma inquietação que me é, de certa forma, familiar, conhecida.

domingo, 8 de setembro de 2013

Homenagem a Brian e Esther Lane

Alun Armstrong decidiu encerrar a sua participação na série New Tricks em sua décima temporada. Com isso, seu personagem Brian Lane está se aposentando definitivamente do UCOS (Unsolved Crime and Open Case Squad of the Metropolitan Police Service). Assim, Esther, a esposa de Brian (representada pela atriz Susan Jameson), também não aparecerá mais em New Tricks. O último episódio em que os dois participaram, o quarto episódio da décima temporada, The Little Brother, foi um dos melhores da série.

Deixo aqui a minha homenagem a Brian Lane relembrando outro dos melhores episódios da série, It Smells of Books, gravado na London Library.

Brian Lane - Alun Armstrong

E registro aqui a minha homenagem a Esther Lane com esta imagem do último episódio em que Brian e Esther participaram:

newtricks104b

Valeu a pena ter assistido New Tricks até aqui principalmente por causa de vocês.