segunda-feira, 5 de março de 2012

“8”

Está disponível online a leitura dramatizada da peça “8”, em defesa do casamento entre homossexuais. O elenco é estelar: George Clooney, Brad Pitt, Martin Sheen, George Takei, Matt Bomer, Christine Lahti, Jamie Lee Curtis, Jesse Tyler Ferguson, Kevin Bacon, Jane Lynch, Matthew Morrison, Chris Colfer e outros. O texto é de Dustin Lance Black, e o diretor é Rob Reiner.

Trata-se da encenação do julgamento da Proposição 8, que pretendia definir o casamento como o enlace apenas entre um homem e uma mulher. A peça “8” procura mostrar como foram os debates na apresentação do caso em 2010.

Embora seja “apenas” uma leitura dramática, pode-se ver o empenho de todos os atores e o excepcional talento de alguns deles. Muito comovente!

Vocês podem assistir à peça inteira aqui (pulem os primeiros 30 minutos, pois só aí a peça tem início).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Fanvid: Dr. House como pai do Sherlock da BBC!

Ontem falei sobre este assunto com vocês e hoje encontrei este FanVid, que me parece uma ótima ilustração das semelhanças entre os personagens. O FanVid mostra o Dr. House (Hugh Laurie) como pai do Sherlock da BBC (Benedict Cumberbatch). Achei muito bem feito! Inclui cenas de outra série, “Fortysomething”, em que Hugh Laurie representava o papel de Peter Slippery, pai de Rory Slippery, protagonizado por Benedict Cumberbatch.

Título: Cat's in the Cradle
Fanvidder: daasgrrl
Compositor: Harry Chapin

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sherlocks contemporâneos (House, BBC Sherlock, etc.)

É curioso que personagens contemporâneos inspirados no Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle (O Dr. House e os Sherlocks da BBC e os dos recentes filmes protagonizados por Robert Downey Jr.) sejam, além de geniais como o de Conan Doyle, arrogantes a ponto de serem frios, antipáticos, insensíveis, desumanos. O Sherlock do Conan Doyle não é assim, de modo algum. Ele não é humilde, longe disso: ele sabe muito bem de suas capacidades e não procura ocultá-las. Mas é um personagem capaz de empatia e compaixão, e trata Watson e os clientes com muita atenção, dedicação e polidez.

Acompanhei o seriado House quase desde o início, e assisti (pela Universal Channel) a todos os episódios de todas as oito temporadas até agora. As duas primeiras temporadas foram muito boas; a quarta foi um desastre; daí em diante, tivemos altos e baixos. Acho que o seriado se esgotou; que esse personagem, bastante carismático, já foi explorado à exaustão. Assim, considero sábia a decisão do encerramento do seriado nesta oitava temporada.

Um problema de seriados como House é que os personagens não podem evoluir muito. Eles precisam permanecer mais ou menos sempre os mesmos. E um personagem como House – arrogante, teimoso, egoísta, antipático, extremamente competitivo –, torna-se cansativo com o tempo, exatamente por não poder evoluir, nem pessoalmente, nem em suas relações com os outros personagens.

Espero que a mesma coisa não venha a ocorrer com o Sherlock da BBC. O primeiro episódio da segunda temporada foi, como comentei aqui algumas semanas atrás, brilhante. O segundo, embora tenha sido também muito bom, já começou a me irritar um pouco, exatamente por causa de algumas idiossincrasias do personagem que me pareceram… tolas. (Tudo bem, já sabemos como você é genial, Sherlock. Será que você precisa mesmo ficar se exibindo o tempo todo???) O terceiro episódio foi bastante emocional, o que foi uma opção inteligente dos diretores, compensando as tendências de extrema arrogância, teimosia, frieza, etc. do personagem. Não dá pra se acusar de frieza, insensibilidade e desumanidade alguém que se sacrifica por seus amigos. Se isso implica uma mudança no personagem ou não, é algo que só vamos saber na terceira temporada. Eu gostaria de acreditar que houve uma evolução no personagem.

Enfim: acho que House termina em boa hora; estou curiosa para ver como vai terminar. E espero que a terceira temporada do Sherlock da BBC, em 2013, não fique presa ao estereótipo de um Sherlock vaidoso, exibicionista, desumano.

Um pouco fora do assunto: Garrow’s Law terminou mesmo. Como já comentei aqui, acho que foi um bom momento para encerrar a série, pois a terceira temporada amarrou muito bem todas as pontas.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anúncio na Flusser Studies

Uma breve notinha só pra dizer que fiquei muito feliz com o anúncio do lançamento do meu livro, Vilém Flusser: a tradução na sociedade pós-histórica, na revista eletrônica internacional Flusser Studies. Aqui.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Downton Abbey, Edwin Drood & Sherlock 2.01

Downton Abbey: Depois da ótima temporada 1 e um bom início na temporada 2, os elementos de soap opera que, a bem da verdade, já existiam desde o começo, passaram a predominar a partir do episódio 5. O episódio 6 foi o pior de todos - soap opera de péssima qualidade. Os dois últimos episódios não foram tão ruins, mas já não havia como recuperar a temporada. O especial de Natal, apesar da beleza dos cenários, teve falhas evidentes. Os detalhes do julgamento foram totalmente inverossímeis, e aquela trama paralela do cachorro… patética. Apesar disso, o especial até que conseguiu salvar algumas das tramas que estavam em franco declínio ou que já se arrastavam há tanto tempo que estavam se tornando insuportáveis. Gostei, por exemplo, da evolução da trama envolvendo Daisy. E com a trama amorosa central aparentemente resolvida (de modo absolutamente previsível, e com diálogos e cenas forçadas, repetitivas e entediantes), talvez a série possa seguir novos caminhos na temporada 3. De qualquer forma, fiquei bastante decepcionada com essa segunda temporada, diante do que havia sido apresentado na primeira.

The Mystery of Edwin Drood: Foi interessante ver um Dickens mais dark, mais “psicológico” e um pouquinho menos moralista! Talvez porque não foi ele quem escreveu o final… Matthew Rhys fez um ótimo trabalho no papel principal. Como costuma acontecer em histórias de Dickens, há papeis secundários muito interessantes, e o elenco esteve à altura. O jovem ator Alfie Davis, de dez anos, que fez o menino Deputy, foi um dos pontos altos, junto com David Dawson, como Bazzard.

BBC Sherlock 2.01 (A Scandal in Belgravia): Hoje a BBC apresentará o terceiro e último episódio da segunda temporada, mas eu, por enquanto, só pude assistir ao primeiro, que é baseado no conto "A Scandal in Bohemia”, de Conan Doyle. O que eu posso dizer a respeito de A Scandal in Belgravia? Uau. Os diretores, Moffatt e Gatiss, conhecem muito bem as histórias originais de Sherlock Holmes e fazem um trabalho brilhante de reescritura, adaptando-as ao mundo contemporâneo e usando uma linguagem cinematográfica também contemporânea. Neste episódio, Sherlock trava um duelo cerebral (e sentimental, e erótico!) contra Irene Adler, “The Woman”. É um episódio complexo, muito bem escrito, muito inteligente. Há um diálogo constante com as histórias originais, muitos jogos de palavras. É o tipo de episódio que precisa ser visto mais de uma vez para que todos os detalhes possam ser absorvidos. Essa série dá também vontade de reler as histórias originais para entender melhor todo o jogo intertextual.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Fairy/Faerie

Algumas semanas atrás eu mencionei aqui a dificuldade em se traduzir as palavras “fairy” e “faerie”. A palavra deriva, curiosamente, do latim “fates”, particípio passado do verbo “fari” (“falar”). Portanto, “o que foi falado”, “o que foi decidido”, “decisão”, resultando no nosso “fado” ou “destino”.

A tradução consagrada para “fairy” e “faerie” seria “fada”, ou, no caso de “Faerie” se referir ao local, “reino/país das fadas”. Acontece que tanto “fairy” quanto “faerie” se referem a um amplo conjunto de seres mágicos: duendes, leprechauns, kelpies, pixies, sereias… Aquelas fadinhas lindinhas e esvoaçantes, como a Sininho (Tinkerbell) de Peter Pan, surgiram apenas na época vitoriana, mas esta é a imagem que nós temos, hoje em dia, das fadas.

A tradução que considero mais adequada para “fairy” e “faerie”, quando esses termos abrangem vários seres mágicos, seria mesmo algo como “seres mágicos”, ou “seres sobrenaturais”. Mas é claro que isso depende do contexto. No livro que estou traduzindo, Wondrous strange, a questão se complica ainda mais pelo fato de uma montagem de Sonho de uma noite de verão fazer parte da trama. Ora, a tradução consagrada para o título de Oberon, por exemplo, é “rei das fadas”, ou “rei dos elfos”, ou mesmo “rei das fadas e dos elfos”. Ninguém, que eu saiba, traduziu os shakespearianos “King of the Fairies/Faeries” ou “Fairy King” como “rei dos seres mágicos/sobrenaturais”. E isso também precisa ser levado em consideração.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Séries inglesas

Estou devendo a vocês um comentário final sobre a temporada 2 de Downton Abbey, mas é que, com todas as atividades de fim de ano, eu ainda não pude assistir ao especial de Natal.

Ainda não pude assistir também ao primeiro episódio da segunda temporada do Sherlock da BBC. Gostei muito da primeira temporada, principalmente do primeiro episódio, que me surpreendeu pelo uso de uma linguagem cinematográfica radicalmente contemporânea.

Sobre Garrow’s Law: gostei bastante da terceira temporada, mas o triste acontecimento do penúltimo episódio (que não vou detalhar, para não dar spoilers) e o fato de que esta temporada “amarrou as pontas” tão bem me levam a não desejar uma nova temporada. De qualquer forma esta foi, em suas três temporadas, uma série muito bem feita, que apresentou um amplo panorama das várias discussões jurídicas que afloraram na Grã-Bretanha do fim do século XVIII e que repercutem até hoje. Admirável.

Terminei de assistir a uma série antiga da ITV, Sharpe, com Sean Bean como protagonista. A série, baseada nos livros de Bernard Cornwell sobre Richard Sharpe, um soldado britânico (fictício) que lutou nas guerras napoleônicas, é composta por 16 filmes (sim, porque cada um dos episódios é um verdadeiro filme, com 1h 40min de duração, em média) e foi transmitida na Grã-Bretanha entre 1993 e 1997. Os dois últimos filmes, no entanto, se passam na Índia, e foram feitos entre 2004 e 2006. É o tipo de série que eu recomendaria para aqueles que gostam de ação, de batalhas ao velho estilo (muitas lutas corpo a corpo, lutas de espada, cavalaria, rifles, canhões) e lances de heroísmo. Não é bem a minha praia, mas eu gostei da série mesmo assim. Principalmente dos primeiros episódios. Depois fica um tanto repetitiva, mas há bons momentos. A interpretação de Sean Bean é absolutamente convincente, e a gente acaba se afeiçoando aos personagens, principalmente Sharpe e o irlandês Harper, pois eles são exemplos daquele espírito de lealdade e amizade das melhores histórias de guerra.

Aguardo com muita expectativa a minissérie (apenas 2 episódios) da BBC 2, The Mystery of Edwin Drood, que estreia no próximo dia 10 de janeiro. Trata-se de uma adaptação (e finalização) do último romance inacabado de Charles Dickens. Entre os atores do elenco, Matthew Rhys e Alun Armstrong. Vocês podem ler uma entrevista com eles a respeito da minissérie aqui (em inglês). E a revista Veja tem um pequeno artigo online aqui (como o artigo foi publicado já há alguns meses, a data de estreia não está correta).