terça-feira, 18 de junho de 2013

Eu estava lá, ontem

Acho que foi o Friedric Jameson que disse que a história não é um texto – é fundamentalmente não narrativa, não ficcional –, mas só é acessível sob a forma de texto.

Mas isso é só um preâmbulo para dizer que sinto a necessidade de escrever, ainda que tosca e rapidamente, sobre a experiência que foi participar, ontem, dos protestos contra o aumento do preço das passagens em São Paulo.

Entendo perfeitamente o sentimento, expresso por muitos, de estar “acordando” depois de uma longa hibernação, depois de anos de apatia política. É bonito. Há uma crise de representatividade, como muito bem diz o meu amigo Caio. E não parecia haver canais de expressão para as nossas demandas não satisfeitas (que são, na verdade, muitas). As redes sociais, por mais ágeis e envolventes que sejam, não esgotam o problema. Faltava as ruas. Nestes últimos dias, a impressão que se tem é que as redes sociais descobriram as ruas. Belo, auspicioso encontro.

Foi bom estar lá. Eu, veterana das mobilizações contra a ditadura, pelas Diretas Já, pelo impeachment de Collor e tantas outras lutas. Meio perdida no meio de tanta gente – principalmente jovens. E como assim, não tem palanque, não tem político famoso, não tem nem carro de som? Por ora, parece melhor assim. Mesmo que a gente ache que talvez um pouquinho mais de organização fosse proveitoso, e que ter objetivos e plataforma política não é algo condenável, mas necessário para que esses movimentos possam se concretizar em mudanças. Mas é assim mesmo, “baby steps”, primeiros passos. Alguma coisa vai ser, como dizíamos em 1984 ou 1985.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Relatório de Qualificação entregue

Pois é, faz tempo que não atualizo o blog. Uma das razões é que, devido a uma possível viagem da minha orientadora no segundo semestre, precisei terminar o Relatório de Qualificação meio às pressas para poder fazer o Exame de Qualificação ainda neste semestre. Agora já entreguei o Relatório e meu Exame foi marcado para o final de julho.

Vocês vão entender melhor o que eu quero dizer com “trabalhei bastante na tese” se eu lhes disser que o Relatório ficou com 308 páginas… Dessas 308, 24 não fazem parte da tese – são itens mais ou menos obrigatórios e um tanto burocráticos no Relatório, como Histórico Acadêmico e uma descrição do projeto. As demais 284 páginas já fazem parte da tese – se a Banca de Qualificação as aprovar.

Eu não pretendia ter escrito tanto já a essa altura, mas o tema requer esclarecimentos em diversas áreas e, como eu tenho bolsa da CAPES, tive bastante tempo pra dedicar ao trabalho. Por outro lado, avalio que já tenha concluído entre 75% e 80% do trabalho (em termos de volume, por assim dizer) e, portanto, não creio que a tese vá ter mais de 400 páginas.

Vou parar a pesquisa durante um mês para me preparar para o Exame de Qualificação. É uma preparação importante, porque pretendo questionar cada linha do que escrevi…

Não vou prometer nada, a essa altura, mas, se calhar (é, estilo lusitano mesmo), eu posto aqui, de vez em quando, as minhas dúvidas cruciais.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tema musical do “Game of Thrones”

Em homenagem ao início da nova temporada de Game of Thrones, dois vídeos com o belo tema musical da série.

Violino:

Este é com hurdy-gurdy, um instrumento totalmente exótico, não? Pena que não dá pra ver direito no vídeo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Nova temporada de Jonathan Creek!

Alguém além de mim e do Guian conhece o Jonathan Creek no Brasil? Eu gosto muito da série e fiquei feliz em saber que a BBC encomendou uma nova temporada. E na próxima segunda-feira passa o tão esperado especial da Páscoa de 2013.

Jonathan Creek, representado pelo ator Alan Davies, é especialista em criar cenas para shows de magia. Devido ao seu conhecimento a respeito de todo tipo de truque, ele acaba sempre sendo chamado para investigar crimes de difícil solução. O que há de especial nessa série “de detetive” é que, mais do que no whodonit (“quem foi que matou”), a trama se concentra em COMO o crime foi realizado. Geralmente são crimes impossíveis à primeira vista.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Descontos na Livraria Humanitas

Pessoal, ressurjo das sombras (cinzas seria meio tétrico, né?) para avisar a todos os apaixonados por livros (especialmente os acadêmicos) que a Livraria Humanitas/Discurso está fazendo uma liquidação este mês. Os livros da Humanitas estão sendo vendidos com 80% de desconto, e os de outras editoras acadêmicas (listadas na gravura abaixo) com desconto de até 30%.

É uma boa oportunidade para comprar o meu livro, Vilém Flusser: a tradução na sociedade pós-histórica, com desconto, ahn? Alegre

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Organização da tese

É como um quebra-cabeças que a gente monta aos poucos. Só vai ser mesmo compreensível quando estiver pronto. Mas, enfim, no momento é assim que eu imagino que será a organização da minha tese sobre a tradução de Mickle de Os lusíadas:

1. Introdução. O de sempre: um resumo do que pretendo fazer na tese.

2. Pressupostos teóricos e metodologia,

3. Os lusíadas. Contexto sócio-histórico-econômico, contexto cultural, resumo, breve análise, recepção da obra em Portugal e nos países europeus (incluindo uma breve referência às principais traduções para todas as línguas europeias até o fim do século XVIII).

4. A Grã-Bretanha do século XVIII e a tradução. Contexto sócio-histórico-econômico, contexto cultural (o Iluminismo, o Neoclassicismo, o Gótico e o Pré-Romantismo) a tradução na Grã-Bretanha no século XVIII (incluindo uma retrospectiva sobre os conceitos da retórica clássica, a retórica na Grã-Bretanha do século XVIII, a tradução na França nos séculos XVII e XVIII e, finalmente, a tradução na Grã-Bretanha nos séculos XVII e XVIII).

5. Translatio studii et imperii. Capítulo curto, mas fundamental. Explica o que era a translatio.

6. O tradutor, William Julius Mickle, e seu Lusiad. Biografia de Mickle, descrição de sua obra poética, tentativa de demonstrar as suas influências góticas e pré-românticas. A tradução: suportes materiais, formas de circulação. Análise do material paratextual que acompanha a tradução: título, gravuras, epígrafe, lista de assinantes e, principalmente, a introdução e seus diversos e longuíssimos ensaios.

7. Análise comparada entre o original e a tradução. Esta é, na verdade, a parte mais importante. Todas as outras partes foram acrescentadas para embasar essa análise.

8. Conclusão.

Pode haver mudanças, claro. Ainda tenho muitas dúvidas. Além disso, a orientadora e a Banca de Qualificação podem dar sugestões que alterem bastante a organização. Será um trabalho volumoso. Dificilmente terá menos de 300 páginas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Redigindo um rascunhão da tese

A primeira expedição de Vasco da Gama à Índia levou dois anos e dois meses. Ninguém sabe quanto tempo Camões levou para escrever Os lusíadas, mas estima-se que teria sido cerca de quinze anos. Mickle levou mais de quatro anos para traduzir Os lusíadas para o inglês. Eu tenho cerca de dois anos e meio para redigir a minha tese de doutorado sobre a tradução de Os lusíadas feita por Mickle. Mas tenho apenas seis meses para terminar isso que eu considero o primeiro rascunho de pelo menos 70% da minha tese.

É mais ou menos assim: no início de outubro eu preciso entregar o Relatório de Qualificação. Mas para que a minha orientadora tenha tempo de ler e comentar o Relatório, preciso terminá-lo no máximo até o fim de julho. Junto com o Relatório, eu gostaria de apresentar para a banca de Qualificação esse tal rascunho, para que eles possam ter alguma base para opinar, para me dizerem se o que estou fazendo faz algum sentido…

Por isso estou trabalhando pesado agora. Não sei muito bem o que fazer pra não deixar este blog abandonado. Talvez eu possa fazer uma espécie de “diário de bordo”, contando passo a passo o que estou fazendo na minha tese.