domingo, 8 de setembro de 2013

Homenagem a Brian e Esther Lane

Alun Armstrong decidiu encerrar a sua participação na série New Tricks em sua décima temporada. Com isso, seu personagem Brian Lane está se aposentando definitivamente do UCOS (Unsolved Crime and Open Case Squad of the Metropolitan Police Service). Assim, Esther, a esposa de Brian (representada pela atriz Susan Jameson), também não aparecerá mais em New Tricks. O último episódio em que os dois participaram, o quarto episódio da décima temporada, The Little Brother, foi um dos melhores da série.

Deixo aqui a minha homenagem a Brian Lane relembrando outro dos melhores episódios da série, It Smells of Books, gravado na London Library.

Brian Lane - Alun Armstrong

E registro aqui a minha homenagem a Esther Lane com esta imagem do último episódio em que Brian e Esther participaram:

newtricks104b

Valeu a pena ter assistido New Tricks até aqui principalmente por causa de vocês.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Em defesa das notas de rodapé

Tenho amigos que odeiam notas de rodapé. O principal argumento que lançam contra elas é: “Se são necessárias, por que não as incorporar ao texto? E se não são necessárias, por que usá-las?”

Até agora eu dava de ombros e tentava, sem muito sucesso, defender as notas de rodapé – principalmente naqueles trabalhos acadêmicos mais longos, como dissertações e teses. Sempre achei que, no fundo isso é uma questão de preferência pessoal, mas eu ficava meio frustrada quando essa discussão das notas de rodapé vinha à tona, porque não conseguia explicar satisfatoriamente a minha preferência.

Hoje, ao reler um capítulo do livro Paratextos Editoriais, do Gérard Genette (tradução do Prof. Álvaro Faleiros), encontrei a perfeita expressão para os meus sentimentos. Sim, eu sei que provavelmente as palavras do Genette não vão fazer ninguém mudar de ideia, mas talvez outros apreciadores das notas de rodapé se identiquem com elas, como aconteceu comigo. Genette (p. 288) diz que não há nenhum absurdo na ideia de se integrar as notas ao próprio texto, mas que, nesse caso, haveria alguma perda ou dano:

O dano evidente, pelo menos do ponto de vista de uma estética classicizante do discurso, é que uma digressão integrada ao texto corre o risco de provocar nele uma hérnia grosseira ou geradora de confusão. A perda pode consistir na eliminação pura e simples desta digressão, às vezes valiosa em si mesma.

Mas a principal perda seria que, ao privar-se da nota, o autor se privaria da possibilidade de um segundo nível de discurso que, às vezes, contribui para dar profundidade ao texto.

A principal vantagem da nota é, com efeito, disponibilizar no discurso efeitos pontuais de nuança, de surdina, ou como se diz ainda na música, de registro, que contribuem para reduzir sua famosa e, às vezes, enfadonha linearidade.

As notas oferecem até mesmo a possibilidade de se inverter um argumento, ou acrescentar uma “virada” paradoxal ao texto. Eu mesma já usei notas para obter vários efeitos diferentes, e isso é algo de que eu jamais abriria mão!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Espionagem e desrespeito à autoria e propriedade intelectual na Internet

Diante das denúncias de espionagem norte-americana na Internet e da atitude do Google, reafirmando que seus usuários não têm mesmo direito à privacidade (recomendo a leitura deste artigo e dos links que o acompanham), tenho pesquisado formas de aumentar a minha segurança e privacidade na Internet.

Claro, cada um sabe onde o sapato aperta. Eu não estou disposta a trocar a maioria dos serviços ditos “proprietários”, como recomenda esta lista. O ideal seria que o fizesse, sim, mas há certas comodidades das quais, muitas vezes, não nos sentimos dispostos a abdicar.

De qualquer forma, gostaria de compartilhar com vocês algumas de minhas soluções.

Eu precisava, antes de mais nada, de um serviço de armazenamento em nuvem gratuito e que garantisse a minha privacidade. Nada gigantesco, não, apenas para fazer o backup de meus documentos pessoais mais importantes. Encontrei o SpiderOak. Por enquanto, estou muito satisfeita. É “zero-knowledge” (nem a empresa sabe o que estou guardando lá dentro), criptografado e, embora não seja tão fácil de usar quanto um serviço de armazenamento como o Google Drive, o DropBox ou o SkyDrive, também não é assim tão difícil.

Se o que você quer é um serviço para guardar e/ou compartilhar arquivos mais pesados, como filmes, há várias outras opções, como o Mega, o Mediafire etc. Esses tipos de provedores são úteis, mas não garantem um backup seguro dos seus arquivos.

Eu precisava também de um provedor de e-mails que fosse gratuito e seguro. Encontrei o Mailoo.org, com servidores na França. Estou me dando muito bem com ele, mas me parece o tipo de empresa “de um homem só”: o dono saiu de férias agora e só volta no fim do mês, então até lá as novas inscrições estão suspensas, hahaha. (Tipicamente francês.) Indico, então, o OpenMailbox, também com servidores na França. Um problema é a capacidade de armazenagem pequena, apenas 250MB. O Mailoo.org oferece 1GB, o que ainda é pouco para as minhas necessidades, mas… dá-se um jeito.

Há muitas outras opções. Essas foram as que encontrei e que estão dando certo pra mim.

sábado, 3 de agosto de 2013

Seriados/séries de TV

Uma rápida atualização dos seriados/séries de TV que acompanho:

Elementary, Game of Thrones, Once Upon a Time e Mad Men, que eu acompanho mais ou menos à medida que passam nos EUA, estão em “hiato” por lá (e acho que por aqui também, com a possível exceção de Elementary). São ótimas séries, que recomendo para os fãs dos gêneros (respectivamente, histórias de detetive, fantasia épica, fantasia de contos de fadas e… drama de época).

Perdi o início da nova temporada de Newsroom, na HBO, e agora vou ter de correr atrás dos primeiros episódios. Também não assisti ainda ao primeiro episódio da décima temporada de New Tricks (BBC). Quanto à série dinamarquesa Borgen, vou esperar até que a terceira temporada passe na BBC, pois por enquanto não dá pra conseguir boas legendas em inglês. As duas primeiras temporadas foram muito boas.

O que tenho visto, então? Estou um ano atrasada em White Collar: assisti recentemente ao delicioso episódio 6 da quarta temporada, “Identity Crisis”, em que Mozzie se envolve com uma organização de espiões do tempo de George Washington. Divertidíssimo. E tenho acompanhado também Teen Wolf, um seriado de baixo custo, sem grandes pretensões, para adolescentes, mas com uma trama de suspense e mistério que prende a atenção da gente. É uma ótima distração, para assistir com a família e ficar discutindo as diferentes possibilidades de resolução dos enigmas.

Assisti também aos dois primeiros episódios da série House of Cards britânica, de 1990. É uma sátira aos Conservadores britânicos do final da década de 80, pós-Thatcher. Simplesmente genial.

Save “The Borgias”!

Não, não espere alguma “fidelidade” histórica em The Borgias. A série tem muitas imprecisões, anacronismos e até descontinuidades. Mas o texto é deliciosamente irônico, muito bem escrito; os atores são ótimos; os cenários são belíssimos. E é uma pena que a história originalmente planejada por Neil Jordan para se desenvolver em quatro temporadas tenha sido encerrada ao final da terceira devido aos altos custos de produção. Acho que essa é uma série que merecia ter o final escrito por seu criador. Além disso, gostaria de ver mais episódios dessa inteligente e sedutora série. Por isso assinei a petição Save The Borgias.

A campanha “Save The Borgias” tem um website e contas no Twitter, Tumblr e Facebook. Junte-se a nós!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pós-Qualificação

Passei no Exame de Qualificação. Mas as sugestões fornecidas pela Banca implicam uma total reformulação da minha tese, algo que irá exigir MUITO trabalho. Só daqui a alguns meses poderei avaliar o que, em linhas gerais, é possível fazer e o que não é.

Um lance bem legal foi uma das componentes da banca, a muito querida professora Viviane Veras, dizer que leu o meu blog, e que viu que tenho aqui muito material pesquisado que não incluí na tese. É verdade!

Gostaria de ter tempo de postar mais material acadêmico aqui, só que as perspectivas para os próximos dois anos não são muito favoráveis… Mas vamos ver, né? Nem sempre se consegue prever o que irá acontecer. Esse Exame de Qualificação, por exemplo, me surpreendeu bastante. Antes dele eu achava que a minha tese era fraca e que provavelmente a Banca iria pedir para deixar essa ideia de lado e conservar o resto do trabalho. O que aconteceu foi o contrário: todos gostaram da tese, acharam-na original, e pediram que eu desse maior destaque a ela em detrimento de outras partes do trabalho que eu considerava mais “sólidas”.

domingo, 30 de junho de 2013

Manifestações como eventos, flusserianamente

Tenho lido muitas análises das manifestações dos últimos dias que as qualificam como “eventos”, no sentido de que elas não teriam passado, futuro ou organização. (Cito, como exemplo, o artigo do meu amigo Caio Leonardo, O Dedo Revoltado.) Isso é próprio da sociedade pós-histórica, ou telemática, como analisada por Flusser. Mais de trinta anos atrás, Flusser percebeu que o código linear, no qual se baseia a escrita e a própria história, está sendo substituído por um código estruturado por imagens – não as imagens tradicionais, da nossa pré-história, mas imagens baseadas em aparelhos técnico-digitais. Trata-se de uma mudança de paradigma que altera a nossa percepção até mesmo do tempo e do espaço, provocando mudanças epistemológicas. Flusser considerava essas mudanças irreversíveis e dizia que elas levariam, por exemplo, ao fim da política, pelo fim da distinção entre público e privado.

Infelizmente não tenho tempo para desenvolver a fundo, aqui, um estudo de Flusser, mas remeto os leitores do meu blog ao terceiro capítulo do meu livro, Vilém Flusser: a tradução na sociedade pós-histórica, especialmente entre as páginas 208 e 225. Aqui eu vou apenas elencar alguns pontos que acho especialmente relevantes para que se possa iniciar uma discussão sobre as manifestações que estão ocorrendo no Brasil (e no mundo, embora haja algumas diferenças entre umas e outras) em termos flusserianos.

Antes, uma definição: “sociedade telemática” seria a convergência das imagens técnicas (produzidas por aparelhos) com os meios de comunicação.

1) A aplicação do conceito de paradigma de Thomas Kuhn às transformações pelas quais estamos passando em nossa sociedade desde o final do século XIX, com a invenção da fotografia, e, principalmente, a partir da disseminação dos computadores. Uma mudança de paradigma implica alterações tremendas, inclusive em termos epistemológicos. A forma como entendemos o mundo – e como atuamos no mundo - está mudando de modo irreversível.

2) A análise de Flusser do fim da política, diante do fim da distinção entre público e privado. Já na década de 80 Flusser dizia:

As teclas não serão mais sincronizadas, mas ligadas entre si por elos reversíveis. Graças a tais elos (por exemplo, cabos), toda tecla será, em futuro não muito distante, ligada a todas as teclas. Poderá receber de todas as teclas e emitir rumo a todas as teclas. [...] Em tal situação aperfeiçoada do tatear [...], todos tatearão em concerto com todos. Por certo, McLuhan está enganado. Isto não pode ser chamado de “aldeia cósmica”, na qual todos publicam o seu privado e privatizam o público proposto por todas as privacidades. Isto não é mais possível onde não há mais privado a ser publicado e onde não há mais praça pública na qual seria possível publicar-se o privado.

3) A qualificação que ele aplica de "superficialidade" à atual sociedade telemática. Para Flusser, a nova epistemologia desconfia de tudo o que é “profundo”, pois a visão “profunda” revela o vazio ou o óbvio. É a visão superficial que leva à experiência do belo e da aventura. Flusser diz também que a sociedade telemática não está interessada em teorias, mas sim em estratégias.

4) A definição de Flusser do "novo homem", de um de seus últimos textos, de 1989:

Esse novo homem que nasce ao nosso redor e em nosso próprio interior carece de mãos. Ele não lida mais com as coisas, e por isso não pode mais falar de suas ações concretas, de sua práxis ou mesmo de seu trabalho. O que lhe resta das mãos são apenas as pontas dos dedos, que pressionam o teclado para operar com os símbolos. O novo homem não é mais uma pessoa de ações concretas, mas sim um performer. Homo ludens, não Homo faber. Para ele, a vida deixou de ser um drama e passou a ser um espetáculo. Não se trata mais de ações, e sim de sensações. O novo homem não quer ter ou fazer, ele quer vivenciar. Ele deseja experimentar, conhecer e, sobretudo, desfrutar. Por não estar interessado nas coisas, ele não tem problemas. Em lugar de problemas, programas. E mesmo assim continua sendo um homem: vai morrer e sabe disso.

5) A análise de que, nas redes da sociedade telemática, a maior parte das informações corre em fios dominados por emissores centrais e controlados por feixes irradiadores. Tal estrutura pode ser qualificada como “fascista” (de fascis, feixes) e leva à pulverização da sociedade, pois cada indivíduo se comunica diretamente com o aparelho.

Todos recebem imediatamente um número colossal de informações, mas todos recebem o mesmo tipo de informação, não importa onde estejam. Ora, nessa situação todo diálogo se torna redundante.

Entretanto, Flusser percebe “fios embrionais que correm horizontalmente através dos feixes”. Esses fios transversais ligam os indivíduos dispersos em diálogos. A questão é politizar a discussão nessas redes transversais. Esse novo engajamento político não se volta contra as imagens, pois nasceu no interior da revolução técnica atual e não se opõe a ela. A metáfora do “cérebro cósmico” é a que Flusser escolhe para retratar essa sociedade: cérebro que reuniria as pessoas dispersas, conectando-as como “células irradiantes de informação”.

Para mim, a grande surpresa das recentes manifestações foi as redes sociais (produtos do novo paradigma) terem encontrado as ruas (canal de expressão do paradigma antigo, baseado na história) e terem "tomado" as ruas com seu novo estilo (baseado no novo paradigma). É esse choque do novo e do velho que me entusiasma e me faz pensar que haja a possibilidade de, como dizia Flusser, "politizar as redes".