sábado, 1 de dezembro de 2012

“Jonathan Strange and Mr. Norrell” na BBC!

A BBC One encomendou uma série de seis episódios baseada no livro Jonathan Strange and Mr. Norrell, de Susanna Clarke, um dos meus livros favoritos! Em 2005, havia sido assinado um contrato para a produção de um filme a partir do livro, mas esse filme nunca foi feito. A série da BBC será adaptada por Peter Harness e dirigida por Toby Haynes, que dirigiu o episódio The Reichenbach Fall, o final da temporada 2 do Sherlock da BBC.

domingo, 25 de novembro de 2012

Tradução, Baldes, Bíblia, Blog

O primeiro livro que lancei, junto com dois amigos, se chamava Um Balde. Os baldes carregam muitas coisas, inclusive uma forte simbologia.

Hoje reencontrei uma citação que relaciona baldes e tradução. Vem da “Introdução dos tradutores da Bíblia Sagrada”, a King James: “Sem a tradução na língua vulgar, os incultos são como as crianças no poço de Jacó (que era profundo), sem um balde ou algo com que puxar água […]” (tradução do Prof. John Milton, em seu livro Tradução: Teoria e Prática, p. 1, epígrafe).

O original diz: “[…] without translation into the vulgar tongue, the unlearned are but like children at Jacob's well (which was deep) [John 4:11] without a bucket or something to draw with […]”.

Falando em baldes, meu amigo Caio Leonardo inaugurou um novo blog, chamado The Elephant & Bucket. Eu tenho alguns amigos geniais. O Caio com certeza é um deles, e o blog dele reflete isso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Séries norte-americanas

Depois de falar em uma série dinamarquesa e várias inglesas, agora é a vez das norte-americanas, pra completar o quadro.

As minhas séries norte-americanas favoritas estão todas “em hiato” (entre temporadas): Game of Thrones (a terceira temporada começa no final de março de 2013); The Newsroom (a segunda temporada deve estrear em junho de 2013) e Mad Men (ninguém sabe quando estreará a sexta temporada).

Enquanto isso, me divirto com outras séries:

1) Once Upon a Time - estou acompanhando a segunda temporada pela Sony, legendada. Essa série, em que personagens do mundo da fantasia vêm parar no “mundo real” por causa de um feitiço hipermaléfico, me conquistou pelas surpresas (viva a imprevisibilidade!) e pelo personagem Rumpelstiltskin/Mr. Gold, representado por um ator escocês de quem gosto muito, Robert Carlyle. Há alguns personagens e tramas entediantes entremeados a momentos brilhantes.

2) Elementary – assisti apenas aos 4 primeiros episódios dessa nova versão norte-americana de Sherlock Holmes, com Watson como uma garota. (O personagem Holmes continua sendo inglês, mas a série se passa em Nova York.) Não é uma série tão genial e inovadora quanto o Sherlock da BBC, mas tem seus méritos. Falei sobre algumas versões de Sherlocks contemporâneos aqui. Estou gostando desse Sherlock principalmente porque, ao contrário daqueles que comentei antes, ele é mais humano em vários aspectos. É mais vulnerável e é até capaz de admitir algumas emoções! E Joan Watson é inteligente e perspicaz, diferentemente de alguns Watsons que se limitam a fazer o papel de coadjuvantes.

3) White Collar – (ou “Crimes do Colarinho Branco”. Passa na Fox Brasil, provavelmente legendado e na Globo, provavelmente dublado.) A divertida parceria entre um agente do FBI e um falsificador (difícil traduzir “con man” para o português – “falsificador” ou “vigarista” não têm o mesmo charme da expressão em inglês). A série está em “hiato”  nos EUA, mas eu ainda não assisti aos últimos capítulos da quarta temporada. Gosto dessa série porque rompe com os padrões de policial x bandido. Mesmo os verdadeiros vilões são personagens interessantes e divertidos. Além disso, é uma série que se preocupa com as interações entre os personagens. A parceria de Peter e Neal é algo especial; Elizabeth é uma gracinha; Diana é uma agente competente e tem bons momentos na série. E Mozzie? Ah! Mozzie é brilhante e um dos personagens mais fofos da TV atualmente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Séries inglesas

Hoje vou falar (rapidinho) de algumas séries inglesas a que tenho assistido:

1) Upstairs, Downstairs (2010)– Terminei de assistir. Acabou num cliffhanger, e a série não foi renovada. Grr. Assim fica difícil avaliar. No geral, achei o enfoque social e político mais interessante que o de Downton Abbey, e sem os apelos melodramáticos desta última. Pena que a série não foi renovada e que se encerrou sem que as tramas fossem devidamente concluídas.

2) Downton Abbey – Estou meio atrasada na temporada 3; acabo de assistir ao quinto episódio. quando a série passa de soap opera a dramalhão mexicano. Sinceramente, não sei mais por que ainda assisto a essa série. Sinto pena dos atores, especialmente Maggie Smith, por terem de se submeter a tais atrocidades de roteiro.

3) New Tricks – Terminou a nona temporada; já assisti a todos os episódios. Sou fã dos personagens, dos atores, e da interação entre eles. Esta temporada foi mais fraca do que as anteriores em termos de roteiros. Jack (James Bolan) faz falta, é claro, mas gostei do substituto, o escocês Steve McAndrew (Denis Lawson).  Amanda Redman e Alun Armstrong já anunciaram que só farão mais uma temporada. Sem Sandra e Brian, acho que a BBC deveria encerrar a série após o final da décima temporada. Mas vou sentir falta deles.

4) Merlin – Esta é aquela série fofinha, pra assistir junto com toda a família. Está chegando à metade da quinta temporada, e já mostra alguns sinais de cansaço. Mas ainda é garantia de alguns bons momentos de aventura e diversão.

domingo, 11 de novembro de 2012

Série dinamarquesa: Borgen

Comecei a assistir a primeira temporada de Borgen, uma série dinamarquesa. A história retrata o dia a dia de Birgitte Nyborg, que, num lance inesperado, é eleita primeira-ministra da Dinamarca. Assim como a ótima série norte-americana, The West Wing, esta série mostra os bastidores da política (as alianças, os diversos interesses políticos em jogo, as conversas, os debates, a relação com a imprensa) de uma forma razoavelmente realista, sem perder o tom de idealismo. E com boa dose de ironia e humor.

Vale a pena tentar superar as dificuldades da língua (estou assistindo com legendas em inglês): a série é cativante, o elenco é ótimo e os temas são muito interessantes. Estou apenas no quarto episódio, mas, pelo que vi até agora, recomendo entusiasticamente!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Nobel e tradução

Apenas um breve comentário: a polêmica estabelecida em razão do fato de Göran Malmqvist, um dos membros da comissão que decidiu entregar o Prêmio Nobel ao escritor chinês Mo Yan, ser  tradutor das obras de Mo Yan para o sueco desvela algo que poucas pessoas percebem a respeito desse tipo de prêmio: que as obras de escritores de línguas menos “influentes” (digamos, qualquer língua que não seja inglês, francês ou, talvez no caso da Academia Sueca, as línguas nórdicas) são, provavelmente, lidas pela maioria dos membros dessa comissão em traduções. Talvez os tradutores dos escritores premiados devessem receber prêmios também! Ou, pelo menos, o reconhecimento público.

O secretário permanente da Academia, Peter Englund, declarou que Malmqvist “só traduziu Mo Yan por incumbência da Academia”. O que me faz querer saber, então, com que critérios eles escolhem as obras a serem traduzidas!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

II Encontro “E por falar em tradução”

Na semana que vem irei a Campinas, participar do II Encontro “E por falar em tradução”, no IEL-UNICAMP. No dia 16, em algum momento entre as 14h30 e o encerramento das atividades do dia, vou apresentar a comunicação

A “EPOPEIA DO COMÉRCIO”: OS LUSÍADAS NO IMPÉRIO BRITÂNICO DO SÉCULO XVIII

Resumo: O objetivo desta comunicação é discutir, à luz dos conceitos de reescrita, manipulação literária e patronagem de André Lefevere, alguns aspectos da tradução de Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões, feita pelo poeta escocês William Julius Mickle. Essa tradução, publicada na Inglaterra em 1776, é até hoje a mais lida e citada de todas as traduções de Os lusíadas para o inglês. Pretende-se mostrar, pela exposição de alguns dados referentes à situação em que essa tradução foi realizada e por meio de alguns exemplos comparando o original e a tradução, que as profundas transformações (acréscimos, omissões, adaptações etc.) efetuadas por Mickle em relação ao original se articulam às condições históricas, sociais e econômicas de produção dessa tradução, assim como às normas culturais da época, uma fase de transição entre o neoclassicismo Augustan e o romantismo. Mickle adaptou Os lusíadas à Grã-Bretanha do final do século XVIII, transformando o poema de Camões em uma narrativa a serviço do Império Britânico.

Aqui está a programação do evento:

Data: 16 a 18 de outubro de 2012
Local: IEL (UNICAMP)
Organização: Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada – UNICAMP e Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês - USP

Programação:

Horário 16/10 17/10 18/10
9h-10h
Palestra de abertura

Prof. Dr. José Yuste Frías
Universidade do Vigo - Espanha
Palestra plenária

Prof. Dr. John Milton
Universidade de São Paulo
Palestra plenária

Prof. Dr. Alvaro Faleiros
Universidade de São Paulo
10h-10h30 Coffee break Coffee break Coffee break
10h30-12h
Mesa redonda

"Tradução, Imagem e Adaptação"

Prof. Dr. Lauro Amorim
Unesp - SJR Preto
Profa. Dra. Nilce Pereira
Unesp - SJR Preto
Profa. Ms. Kátia Hanna
UNIP
Doutoranda USP
Mesa Redonda

"Tradução e questões de Terminologia"

Prof. Dr. Francis Aubert
USP
Profa. Dra. Tinka Reichmann
USP
Profa. Dra. Adriana Zavaglia
USP
Mesa Redonda

"Questões da Prática de Interpretação Oral"

Prof. Dr. Reynaldo Pagura
PUC - SP
Profa. Dra. Glória Sampaio
PUC - SP
Profa. Ms. Luciana Carvalho
PUC - SP
Doutoranda USP
12h Almoço Almoço Almoço
13h30-14h30
Apresentação de pôsteres
Alunos de graduação
14h30- Comunicações Pós graduandos
Oficinas

Linguística de corpus
Profa. Dra.Carmen Dayrell 
Projeto Comet – Uninove

Legendagem
Profa. Ms. Elaine Trindade
UNINOVE

Wordfast
Profa. Ana Júlia Perrotti-Garcia
Anhanguera-Unibero

Tradução Jurídica
Profa. Dra. Tinka Reichmann 
USP

Audiodescrição
Profa. Bell Machado
ONG Vez da Voz
Oficinas

Tradução e Paratradução
Prof. Dr. José Yuste Frías
Univ. Vigo – Espanha

Interpretação de conferências
Prof. Dr. Reynaldo Pagura
PUC-SP

Tradução catecismos tupis
Prof. Dr. Eduardo Navarro
USP

LIBRAS
Profa. Dra. Audrei Gesser
UFSC

sábado, 29 de setembro de 2012

“Downton Abbey”, temporada 3, e “Upstairs. Downstairs”, temporada 2

Assisti ao primeiro episódio da Temporada 3 de Downton Abbey. Gostei do episódio - bem mais do que de qualquer episódio do final da Temporada 2. Continuo não vendo “química” nenhuma nos casais, principalmente Matthew/Mary, e os aspectos pateticamente melodramáticos me fazem rir, mas gostei dos novos relacionamentos que estão se estabelecendo, especialmente entre Matthew e Branson, e das batalhas sarcásticas entre Violet (Maggie Smith) e Martha Levinson (Shirley MacLaine).

Acredito que Downton Abbey tenha se baseado na primeira versão de Upstairs, Downstairs, de 1971, que se passava entre 1903 e 1930. Não assisti a essa versão, pois não é fácil encontrar cópias dos episódios. Mas estou assistindo à nova série Upstairs, Downstairs, de 2010, que se passa na época da Segunda Guerra. Estou no meio da Temporada 2. É uma série mais instigante, em termos políticos, do que Downton Abbey, e não há tanto melodrama. Quando terminar de assistir aos episódios talvez eu comente mais sobre a série. Não haverá uma terceira temporada.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma talvez resenha de “A batalha das libélulas” e “A queda de Babilônia”

A batalha das libélulas e A queda de Babilônia, de Glautúrnio Polenta e Guian de Bastos, são os dois primeiros volumes da saga Velho Império sem Czar.

Antes de mais nada, eu gostaria de dizer que gostei de A batalha das libélulas, mas gostei muito mais de A queda de Babilônia. Perguntei-me, então, por que isso teria acontecido. Há várias explicações possíveis. A primeira seria que o primeiro livro assusta um pouco, pela falta de referências. Ao ler o segundo, já conhecemos a história, de certa forma, então fica mais fácil acompanhar. A segunda explicação, um pouco mais pessoal, é que no segundo livro há mais interação entre os personagens. Aguirre está sempre conversando com Soraya ou Valquíria, e eu sou fã de livros em que há interação entre os personagens. A terceira hipótese está ligada a esta segunda: eu teria gostado mais deste livro porque gosto mais de Aguirre como personagem do que de Flamínio. Um dos méritos da série é exatamente que o livro centrado em Flamínio tem a cara do Flamínio – é volúvel, irrequieto, cheio de ação. O livro centrado em Aguirre é mais intimista.

Diverti-me muito com a parte em que aparecem os Augúrios. Eu sei muito bem de quem se trata. Esse é um aspecto desta série que a torna um tanto… elitista? exclusivista? qual seria o melhor termo? – há muitas inside jokes. Piadas que só os mais íntimos entendem. Mas e daí? Provavelmente o Ulisses do James Joyce também está cheio de inside jokes, e os estudiosos ficam escavando em busca das explicações… O que complica tudo ainda mais é que a Valéria não é bem a Valéria, e o Bar do Ernani não é bem o Bar do Ernani, se é que vocês me entendem. Talvez um dia eu seja entrevistada pra explicar muitas dessas referências. O problema é que eu não sei todas! Preciso urgentemente de um “Velho Império sem Czar Explicado” ou “Velho Império sem Czar for Dummies”.

Nunca mais escutaremos o Aphrodite’s Child com os mesmos ouvidos. Nem o hino do Galo do Japi. E todas as vezes que eu me vir diante de um elevador, vou me perguntar se ele é o mesmo ou não.

Aguardo ansiosamente o lançamento dos próximos livros – e da Turminha do Sacomâ [1]. Uma pergunta que não quer calar: será que nossos heróis da O. conseguirão derrotar os filhos do P. e a agromáfia? Ou será que tudo vai terminar no ponto onde estamos, ao final dos livros 1 e 2? De qualquer forma, vendo que os autores sabem lidar tão bem com pontos de vista diferentes, estou muito curiosa para ler outros desses pontos de vista. Tenho a impressão de que vou gostar mais da história a cada livro.

(Esta talvez resenha foi publicada no blog do Velho Império sem Czar, onde vocês podem encontrar mais informações sobre a saga, inclusive um vídeo com depoimento dos autores.)


[1] Em breve, nas livrarias, Mirna contará tudo sobre essa nova sensação!

Tempestuous (série “Estranhas maravilhas”), de Lesley Livingston

Minha irmã e eu terminamos de traduzir Tempestuous, o último livro da trilogia Estranhas maravilhas, de Lesley Livingston. Nos próximos parágrafos vou comentar um pouco sobre esse livro e a trilogia – não vou revelar nenhum grande segredo, mas aqueles que não gostam de saber de nenhum detalhe antes de lerem os livros talvez devam parar por aqui.

Como todo livro final de uma série de fantasia, este é bastante... tempestuoso. (Não por acaso, a peça de Shakespeare que está sendo ensaiada pelos Avalon Players, o grupo teatral do qual Kelley faz parte, é A tempestade.) Kelley e Sonny precisam enfrentar os mais terríveis obstáculos. O teatro Avalon Grande foi destruído. Auberon, o rei do Inverno, está à beira da morte. Os poderes de Sonny são devastadores e incontroláveis. Para protegê-lo, Kelley precisa abandoná-lo. Alguns Guardiões Jano se rebelam e atacam seres mágicos inocentes. Alguém está por trás de muitos desses acontecimentos nefastos. Quem? E será que Sonny e Kelley conseguirão superar todas essas adversidades?

Falando da trilogia como um todo, talvez os fãs de romances se surpreendam ao perceber que os protagonistas, Sonny e Kelley, não são modelos de perfeição. Eles têm defeitos, como qualquer pessoa normal – mesmo que eles estejam bem longe de serem “pessoas normais”. Pelas resenhas de leitores que li, alguns acham que isso enriquece os personagens e até facilita a identificação do leitor com eles, mas outros se ressentem disso, achando que isso prejudica o aspecto romântico da história. Segundo essas resenhas (na Amazon e em blogs), a maioria dos fãs de romance gostou da trilogia, então acho que o balanço final é positivo, nesse aspecto.

Eu me diverti bastante com essa série. O que mais aprecio em Lesley Livingston é o seu humor irônico, e a capacidade de criar personagens secundários fascinantes. Eu me apaixonei por alguns dos personagens desta trilogia: Bob, Tyff e o Cavalheiro Jack são deliciosos; Quentin e as Bruxas da Tempestade me fizeram dar boas risadas; Carys é uma verdadeira heroína; Mab, com toda a sua perversidade, é uma personagem muito bem construída. Mas, acima de todos, me apaixonei pelo Lobo Fenris. É, eu gosto de personagens complicados... (E Lesley parece gostar também, porque ouvi dizer que o Lobo Fenris reaparece no mais novo livro dela, Starling.)

Outro aspecto em que achei que a autora se saiu muito bem foi o modo como ela integrou as peças de Shakespeare ao enredo. Funcionou muito bem, enriquecendo a trama central.

Na tradução, creio que o maior desafio foi, exatamente, traduzir os versos de Shakespeare de um jeito mais leve e atual (em comparação com a maioria das traduções que já foram feitas), já que estávamos traduzindo uma série juvenil. Mas sem exageros – afinal, Shakespeare é Shakespeare. Outro desafio foi tentar reproduzir em português os jogos de palavras, para preservar o humor do texto original.

Acredito que a trilogia Estranhas maravilhas irá agradar especialmente aos fãs de romance, aventura e magia. Mas eu não ficaria surpresa se você, mesmo não sendo fã desses gêneros, viesse a encontrar estranhas maravilhas nessa série...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Velho Império Sem Czar 1 e 2 na Bienal

Os livros “A Batalha das Libélulas” e “A Queda de Babilônia”, de Glautúrnio Polenta e Guian de Bastos, serão lançados na Bienal do Livro na sexta-feira, dia 17/08, das 17h às 20h, no stand da Cia. dos Livros. Glautúrnio Polenta estará lá, dando autógrafos.

A Cia. dos Livros está vendendo os dois volumes com desconto de 20%. Mais informações nos links abaixo:

A Batalha das Libélulas

A Queda de Babilônia

A vida gritando nos cantos

Minha amiga e colega de pós-graduação, Lara Santana, organizou, junto com Liana Farias, o livro A vida gritando nos cantos, uma coletânea de crônicas de Caio Fernando Abreu, lançada agora pela Editora Nova Fronteira. Essas crônicas foram publicadas em jornais nas décadas de 80 e 90, mas nunca haviam sido lançadas em livro.

avidagritando

Lara, que está fazendo um belo trabalho de pesquisa sobre a obra de Caio Fernando Abreu, conta mais sobre a sua pesquisa em seu blog.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fotos do lançamento dos dois primeiros livros da saga “Velho Império Sem Czar”

Gente, foi muito bom encontrar tantos amigos lá no Platibanda. Rever amigos que eu não via há mais de 10 anos! Foi bom saber, também, que alguns de vocês leem meu blog. Geralmente eu escrevo aqui em tom um tanto impessoal, como se o “mundo” fosse me ler, mas a verdade é que a maioria dos meus leitores são vocês, amigos. A Kyky, que, como eu, ama os ingleses (com relutância) e irlandeses; o Milton, que está determinado a ler Life of Johnson; o Fenelon, que leu vários livros traduzidos por mim e não sabia; o Alê, que nem sabe que eu tenho este blog (contem pra ele!). Enfim, a todos vocês, um abraço forte!

Algumas fotos do lançamento do livro do Glautúrnio Polenta e do Guian de Bastos, “A Batalha das Libélulas” e “A Queda de Babilônia”.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

“A Batalha das Libélulas” – aperitivo

Guian de Bastos e Glautúrnio Polenta liberaram o download em pdf do primeiro capítulo de seu livro A Batalha das Libélulas, que será lançado no próximo dia 11, sábado, no Platibanda Bar (R. Mourato Coelho, 1365), a partir das 14h.

Vocês podem baixar o capítulo aqui.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

“A Batalha das Libélulas” e “A Queda de Babilônia”

Guian de Bastos é mais do que um amigo – é irmão, herói, parceiro de tantas aventuras (em especial, os livros Um Balde e Vidró, e o jornal Valami Lesz). Agora ele e Glautúrnio Polenta, outro amigo de longa data, desbravador de caminhos, estão lançando não um, mas dois livros (os primeiros da série Velho Império Sem Czar) que, tenho certeza, são apenas o início de uma longa saga de sucesso. Estarei lá, é claro! Não percam!

gg12v3

1 1 d e a g o s t o d e 2 0 1 2
d a s 1 6 h à s 2 0 h
P la t ib a n d a B a r
R u a M o u ra t o C o e lh o , 1 3 6 5 .
V ila M a d a le n a

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Alun Armstrong como Alfred Doolittle (My Fair Lady)

É só som, gente, mas eu fico imaginando as caras e trejeitos que o Alun faria nesse papel e fico rindo sozinha…

A música é “Get me to the church on time”. Parte da apresentação de “My Fair Lady” em The Proms, uma série de concertos apresentados pela BBC no Royal Albert Hall de Londres. Ele deve ter cantado também “With a little bit of luck”, mas não encontrei o áudio no YouTube ainda.

"Best of all is Alun Armstrong's magnificent Alfred Doolittle, a Steptoe-meets-Grandad Trotter comic titan that's every inch the equal of Stanley Holloway." - John Lewis, The Guardian

Sobre o Alun Armstrong, talvez vocês não o conheçam de nome, mas com certeza já devem tê-lo visto em um dos muitos filmes ou séries em que atuou.

terça-feira, 3 de julho de 2012

The Hollow Crown

Shakespeare na BBC 2: Ricardo II, Henrique IV (em duas partes) e Henrique V.

Ricardo II foi exibido em 30 de junho. 140 minutos de duração. Ben Whishaw no papel principal.

A primeira parte de Henrique IV será exibida no dia 7 de julho e terá 115 minutos de duração. Jeremy Irons no papel principal. O elenco inclui o Alun Armstrong (de quem sou fã) e seu filho, Joe Armstrong. A segunda parte provavelmente será exibida no dia 14 de julho.

Henrique V fecha o especial, provavelmente no dia 21 de julho, com Tom Hiddleston no papel principal. Além do elenco presente nos dois filmes anteriores, também participam John Hurt, Richard Griffiths e Melanie Thierry.

A Universal vai distribuir essa série em 10 episódios. Mas não há informações sobre se haverá distribuição no Brasil.

O trailer da primeira parte do Henrique IV:

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Para ler “Os Lusíadas”

Eu gostaria de recomendar este site a todos os que queiram ler ou reler Os Lusíadas. As explicações acrescentadas em notas, estrofe a estrofe, são riquíssimas e estão me auxiliando muito em meu trabalho.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Livros que traduzi

Esta é a relação, que pretendo manter atualizada, de livros que já traduzi e que foram publicados. (Porque, além dos livros que estou traduzindo ou acabei de traduzir e estão no prelo, há livros que traduzi e que nunca foram publicados – mas esses não serão incluídos nesta lista.) Ah, eu também não incluí as dezenas de romances de banca, tipo Harlequin, que traduzi. Foram muitos!
Resolvi separar os livros por área. Mas é óbvio que alguns livros poderiam estar em mais de uma área. É o caso, por exemplo, do Ulisses Liberto, do Jon Elster, que poderia estar em Filosofia, Ciências Sociais, Artes, Psicologia ou Economia. Toda classificação é uma simplificação da realidade, aliás.
Quando não estiver escrito, entre parêntesis, “do francês”, quer dizer que a tradução foi feita a partir do inglês.
Acho que ninguém pode dizer que eu me limitei a apenas uma ou outra área de preferência, né?

Ficção
andrea
PERRY, Jacques. Récit d'Andrea: extenuante e nua tentação. São Paulo: Brasiliense, 1986. (Do francês)

shaw2
SHAW, Bernard. Um Socialista Anti-Social. São Paulo: Brasiliense, 1988.

highsmith
HIGHSMITH, Patricia. Resgate de um Cão. São Paulo: Brasiliense, 1989.

assassino
THOMPSON, Jim. O Assassino dentro de Mim. São Paulo: Paulicéia, 1991.

dalia
ELLROY, James. Dália Negra. São Paulo: Paulicéia, 1993.

aussie
(Deste eu traduzi apenas um conto)
MALOUF, David. Médium. In Lá da Austrália, coletânea de contos, org. por Stella E. O. Tagnin. Em co-autoria com Lea Béraha. São Paulo: Fólio, 2005.

Ficção Juvenil
Trilogia “os Herdeiros”:

herdguer
WILLIAMS, Cinda W. O Herdeiro Guerreiro. São Paulo: DCL, 2008.

herdmago
WILLIAMS, Cinda W. O Herdeiro Mago. São Paulo: DCL, 2009.

herdrag
WILLIAMS, Cinda W. O Herdeiro Dragão. São Paulo: DCL, 2010.

Trilogia "Wondrous Strange" (Nove Noites e um Sonho de Outono)


LIVINGSTON, Lesley. Nove Noites e um Sonho de Outono. 1º Ato. Grupo Autêntica. Editora Gutenberg, 2014. Tradução em colaboração com Angela Tesheiner.


LIVINGSTON, Lesley. À espera de Romeu. 2º Ato. Grupo Autêntica. Editora Gutenberg, 2016. Tradução em colaboração com Angela Tesheiner.

Ciências Humanas

Artes
canton
CANTON, Katia. E o Príncipe Dançou. São Paulo: Ática, 1994.

sting
CLARKSON, Wensley. Sting, uma Biografia. São Paulo: Ática, 1997.

design
TAMBINI, Michael. O Design do Século. São Paulo: Ática, 1997.

Filosofia / História / Sociologia

brown
BROWN, Judith C. Atos Impuros. São Paulo: Brasiliense, 1987.

foucault
DELEUZE, Gilles. Foucault. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Do francês)

eleonor
MEADE, Margaret. Eleonor de Aquitânia. São Paulo: Brasiliense, 1991.

avoz
STARR, Tama (org.). A Voz do Dono. São Paulo: Ática, 1993. Tradução dividida com José Rubens Siqueira e Thereza Monteiro Deutsch.

vodca
POKHLIÓBKIN, W. V. Uma História da Vodca. São Paulo: Ática, 1995.

diploma
DÁVILA, Jerry. Diploma de Brancura. São Paulo: UNESP, 2006.

ulisses
ELSTER, Jon. Ulisses Liberto. São Paulo: UNESP, 2009.

alutaind
GARFIELD, Seth. A luta indígena no coração do Brasil. política indigenista, a marcha para o oeste e os índios Xavante (1937-1988). São Paulo: UNESP, 2011.

Direito

hart
MACCORMICK, Neil. H. L. A. Hart. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2009.

Administração / Economia

olider
ROBBINS, Harvey & FINLEY, Michael. O Líder Acidental. São Paulo: Prentice Hall, 2005.

macroe
BLANCHARD, Olivier. Macroeconomia. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2006, 4a ed. Tradução dividida com Mônica Rosemberg.

Psicologia

reich
REICH, Wilhelm. Paixão de juventude: uma autobiografia (1897-1922). Tradução dividida com Samia Rios. São Paulo: Brasiliense, 1996.

acrianca
KAIL, Robert V. A Criança. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003.

Ciências Biológicas
Ecologia

primavera
CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. São Paulo: Gaia, 2010.

Medicina / Saúde / Nutrição

kenmayer
MAYER, Ken. Mulheres de Verdade Não Fazem Regime! São Paulo: Ática, 1995.

novoaman
COLCLOUGH, Beauchamp. Um Novo Amanhã. São Paulo: Ática, 1996.
sucos
CALBOM, Cherie, e KEANE, Maureen. Sucos para a Vida. São Paulo: Ática, 1997.

Ciências Exatas
Matemática

matlab6
HANSELMAN, Duane & LITTLEFIELD, Bruce. MATLAB 6 - Curso Completo. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003.

Computação


c
SAVITCH, Walter. C++ Absoluto. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003.

sistdigit
TOCCI, R. J., WIDMER, N.S e MOSS, G. L. Sistemas Digitais. São Paulo, Pearson Education do Brasil, 2007. 10a ed.

Física

fisica2
YOUNG, Hugh D. Física II: Termodinâmica e Ondas. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2008, 12a ed.
fisic4
YOUNG, Hugh D. Física IV: Ótica e Física Moderna. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009, 12a ed.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Escola de Sagres nunca existiu!

A Escola de Sagres, criada pelo Infante D. Henrique para desenvolver a navegação, jamais existiu. Isso provavelmente não é novidade para os historiadores, estudantes de história ou mesmo para os mais jovens, mas, para mim, foi uma surpresa. Eu já havia ouvido falar que a Escola de Sagres não havia sido realmente uma “escola” – seria apenas uma reunião de cartógrafos, navegadores, estudiosos e construtores de navios. Mas as não tão novas pesquisas sugerem que a Escola de Sagres é simplesmente um mito. Será mesmo?

O primeiro a negar a existência da Escola de Sagres teria sido o historiador brasileiro Thomaz Marcondes de Souza, em 1953, seguido pelo português Luís de Albuquerque, em 1990. E em 2009 o historiador brasileiro Fábio Pestana Ramos, em seu livro Por mares nunca dantes navegados, conclui que "Não há prova factual, como vestígios arqueológicos ou documentos originais, que possam comprovar a existência de uma escola em Sagres". Segundo Pestana Ramos, as menções históricas à Escola de Sagres se baseiam apenas em um único mapa atribuído ao pirata inglês Francis Drake e datado do século XVI, que registrava algumas construções em Sagres na época – sem nenhuma referência à existência de uma escola de navegação. Ainda segundo Pestana Ramos, o mito teria sido criado no século XIX, quando o historiador português Oliveira Martins teria utilizado a existência de Sagres para construir uma identidade portuguesa baseada no amplo domínio de tecnologias de navegação. Mais detalhes aqui.

Hmm… Eu tenho certos questionamentos, pelo menos quanto a essa última afirmação, de que o mito teria sido criado pelos românticos portugueses no século XIX. Ora, o poeta escocês Mickle, em sua tradução de Os Lusíadas, de 1776, glorifica D. Henrique como o “gênio” que teria dado origem ao espírito da descoberta moderna, aquele que “nasceu para libertar a humanidade do sistema feudal e dar a todo o mundo todas as vantagens, todas as luzes que poderiam ser difundidas pelo intercâmbio do comércio ilimitado”. Mickle reproduz todos os elementos do “mito”, embora não utilize a expressão “Escola de Sagres”. No prefácio à sua tradução de Os Lusíadas, Mickle conta que D. Henrique convidou vários sábios a irem a Sagres, a cidade altamente fortificada em que ele fixara residência. De Sagres teriam vindo as bases da nova navegação portuguesa. Mickle cita também um trecho do poema "The Seasons”, de James Thomson, glorificando D. Henrique como o grande incentivador do comércio:

For then from ancient gloom emerg'd
The rising world of trade: the genius, then,
Of navigation, that in hopeless sloth
Had slumber'd on the vast Atlantic deep
For idle ages, starting heard at last
The Lusitanian prince, who, Heaven-inspir'd,
To love of useful glory rous'd mankind,
And in unbounded commerce mix'd the world.

O poema “The Seasons” terminou de ser escrito em 1730.

Acho que isso mostra que o “mito”, pelo menos na Inglaterra, é anterior aos românticos portugueses. Como vocês veem, os Estudos da Tradução podem ser bastante úteis nas pesquisas históricas. E vice-versa, claro.

[P.S. Este site traz informações mais detalhadas sobre o assunto. São explicações bem mais convincentes de como surgiu o mito da Escola de Sagres.]

terça-feira, 12 de junho de 2012

Lançamento de livro sobre a obra de J. R. R. Tolkien

O Evangelho da terra-média: leituras teológico-literárias da obra de J. R. R. Tolkien
Organizador: Carlos Ribeiro Caldas Filho
Editora: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Local: Livraria da Vila do Shopping Higienópolis
Data: 15 de junho (sexta-feira)
Horário: das 18h30 às 21h30

Entre os cinco ensaios publicados neste livro, comento apenas os dois que já li: os dos meus colegas de doutorado, Dircilene Gonçalves (“A babel fantástica: a palavra no princípio da criação”) e Reinaldo José Lopes (“‘Em muitas vozes e em muitas línguas’: a filologia criativa de J. R. R. Tolkien”). Apesar de evidenciarem a profundidade da pesquisa acadêmica na riqueza de detalhes apresentados, ambos os ensaios são escritos em estilo fluente, claro e cativante. O ensaio de Dircilene mostra como a criação dos universos alternativos de Tolkien baseia-se na própria palavra, na criação de línguas. O ensaio de Reinaldo parte desse mesmo pressuposto (a criação de línguas como a fundação do universo literário de Tolkien) e aprofunda o estudo dos aspectos filológicos da obra de Tolkien.

Recomendo o livro, portanto, não apenas para os fãs de Tolkien, mas para todos os que se interessam pelas línguas; pela filologia; pela filosofia da linguagem; e pela relação entre o trabalho com a palavra e a criação de universos ficcionais.

Para os que não puderem ir ao lançamento, nesta página há uma lista de livrarias onde o livro pode ser adquirido.

oevtolklan

domingo, 10 de junho de 2012

(Isaac) Disraeli, patronos e Mickle

Em uma nota de rodapé de The presence of Camões, George Monteiro menciona que Melville destacou, com uma linha vertical na margem direita, um trecho do livro Curiosities of Literature, de Isaac Disraeli, sobre Mickle. Esse Disraeli (ou D’Israeli), nasceu em 1766 e morreu em 1848; era escritor e historiador, pai de Benjamin Disraeli, o famoso primeiro ministro britânico. (Curiosidade: Isaac iniciou a sua carreira literária compondo versos para Samuel Johnson.)

Antes de mais nada, interessa-me o assunto sobre o qual Disraeli está falando nessa página: patronos. Neste site, pode-se ler Curiosities of Literature online. O artigo sobre patronos está aqui, e eu recomendo a leitura a todos os que se interessam pela questão da patronagem, que já discuti anteriormente neste blog algumas vezes.

O parágrafo dedicado a Mickle diz (a tradução é minha):

O pobre Mickle, a quem devemos a tão bela versão de Os Lusíadas de Camões, tendo dedicado sua obra, um trabalho ininterrupto de cinco anos, ao Duque de Buccleugh, ficou mortificado ao descobrir, por meio de um amigo, que o Duque já estava de posse da obra há três semanas quando conseguiu reunir suficiente desejo intelectual para abrir suas páginas! A negligência desse aristocrata reduziu o poeta a um estado de depressão. Esse patrono era economista político, pupilo de Adam Smith! Fico feliz em acrescentar que, em contraste com esse frígido patrono escocês, quando Mickle foi a Lisboa, onde sua tradução há muito lhe precedera a visita, encontrou o Príncipe de Portugal esperando no cais para ser o primeiro a receber o tradutor de seu grande poema nacional; e, durante uma estadia de seis meses, Mickle recebeu a calorosa estima de todos os nobres portugueses.

Não deixa de ser irônico que Portugal, tendo dado pouco reconhecimento a Camões em vida, cumule de honrarias o seu tradutor para o inglês, que tanto modificou o original… Entre os objetivos do meu trabalho está o de tentar “explicar” essa ironia.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A presença de “Os Lusíadas”

Terminei de ler The presence of Camões, de George Monteiro. A partir desse livro, destaco aqui alguns autores que foram influenciados por Camões e, em especial, por Os Lusíadas, relacionando às traduções de Os Lusíadas que foram lidas por esses autores.

Mickle sugere que John Milton possa ter lido Os Lusíadas na tradução de Fanshawe. A influência dessa leitura explicaria, ainda segundo Mickle, as várias semelhanças entre o Paradise Lost e Os Lusíadas – em especial, a cena entre Miguel e Adão, ao final do Paradise Lost, e a cena de Os Lusíadas em que Tétis mostra a Gama a Máquina do Mundo.

O norte-americano Herman Melville leu Os Lusíadas na tradução de Mickle. Pelo que mostra George Monteiro, a influência de Os Lusíadas sobre Moby-Dick é profunda e incontestável.

Henry Wadsworth Longfellow, poeta norte-americano, era admirador de Camões e incluiu trechos de Os Lusíadas, na tradução de Mickle, em um grande livro organizado por ele, The Poets and Poetry of Europe. Das trinta e poucas páginas desse livro reservadas a poetas portugueses, Camões ocupava nove, com dois excertos de Os Lusíadas (o episódio de Inês de Castro e o do Gigante Adamastor), onze sonetos e nove poemas líricos. Essa antologia foi publicada em meados do século XIX, em pleno romantismo norte-americano (um pouco posterior em relação ao romantismo inglês). Entre 1876 e 1879, Longfellow publicou outra antologia, Poems of Places, incluindo novamente a tradução de Mickle do episódio de Inês de Castro e outras traduções de poemas de Camões. Mais ou menos por essa mesma época, no entanto, Longfellow conheceu a tradução do primeiro e do segundo cantos de Os Lusíadas por James Edwin Hewitt (que traduziu apenas esses dois cantos), e passou a criticar a tradução de Mickle. Em carta a Hewitt, Longfellow elogiou-o por manter a oitava rima do original, sem tentar encaixar o poema em uma nova forma. E em 1877, em carta ao imperador do Brasil, D. Pedro II, com quem se correspondia, Longfellow diz que a tradução de Mickle “é fácil e graciosamente versificada, mas não é, estritamente falando, uma tradução, e sim uma paráfrase bastante livre, ou rifacimento do original”. Mesmo assim, Longfellow manteve as traduções de Mickle em Poems of Places, que foi publicada depois desses comentários críticos.

Curiosamente, segundo George Monteiro, é com base nessas traduções de Os Lusíadas, publicadas por Longfellow, que Ezra Pound faz uma violenta crítica à obra de Camões no seu The Spirit of Romance (1910), chamando-a de medíocre. Pound atribui a mediocridade tanto de Longfellow quanto de Camões ao insípido meio aristocrático tanto de Portugal no século XVI quanto dos EUA no século XIX... Não concordo com Pound a esse respeito, mas não sei se George Monteiro tem realmente razão em pensar que Pound leu apenas os dois trechos de Os Lusíadas publicados no livro organizado por Longfellow.

Uma questão que achei interessante no livro de Monteiro, mas que foge totalmente ao meu objeto de estudo, é a sugestão de que Camões poderia ter influído na obra de Edgar Allan Poe via Elizabeth Barrett-Browing. Sabemos que “The Raven” foi criado seguindo o modelo do Lady Geraldine's Courtship, de Barrett-Browning, e que Barrett-Browning, além de traduzir uma série de sonetos de Camões e de utilizar o soneto em sua forma camoniana, citava Camões constantemente. Monteiro chega a sugerir que o nome “Lenore” – presente não apenas em “The Raven”, mas também nos poemas “Al Aaraaf” e “Lenore” – seria uma versão da “Leonor” de Camões. Interessante, mas muito difícil de comprovar.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

As traduções de “Os Lusíadas” para o inglês

Depois de uma overdose de Johnson, os leitores deste blog terão a partir de agora um assunto bem diferente: comecei a ler The presence of Camões: influences on the literature of England, America & Southern Africa, de George Monteiro. Pesquisando para a minha tese (análise da tradução de Os Lusíadas por Mickle), estou em busca de mais informações sobre a influência de Camões sobre os países de língua inglesa.

Como introdução ao assunto, eis uma lista das traduções completas de Os Lusíadas para a língua inglesa, em todos os tempos.

• Sir Richard Fanshawe, Londres, 1655
A primeira. Tradução em oitava rima (seguindo o original), surpreendentemente literal e competente, mas talvez bem-humorada demais para o gosto das gerações seguintes. Nâo teve grande repercussão, mas tem seus defensores até hoje.

• William Julius Mickle, Oxford, 1776
Tradução em rimas emparelhadas (dísticos heroicos). A mais conhecida e divulgada de todas as traduções da obra até hoje.

• Thomas Moore Musgrave, Londres, 1826
O tradutor era agente de navegação em Lisboa.

• Sir Thomas Livingston Mitchell, Londres, 1854
O tradutor foi um célebre soldado e explorador na Austrália.

• John James Aubertin, Londres, 1878
Tradução em oitava rima. Aubertin era engenheiro ferroviário e foi o
responsável pela construção da linha entre Santos e São Paulo. Tinha bom conhecimento da língua e literatura portuguesas, tendo sido eleito sócio da Academia Real das Ciências e Cavaleiro da Ordem de Santiago. Sua tradução foi muito valorizada em Portugal.

• Robert Ffrench Duff, Londres, 1880
Tradução em versos spenserianos. O tradutor era descendente de uma família inglesa estabelecida em Portugal.

• Sir Richard Francis Burton, Londres, 1881
O célebre aventureiro, tradutor de As mil e uma noites, viajou pelo mundo todo e sabia inúmeras línguas. Era fã de Camões, e esse apreço é evidente em sua tradução. O estilo dele, no entanto, é considerado arcaizante demais. Manteve a oitava rima do original.

• Leonard Bacon, Nova York, 1950
A primeira tradução feita nos EUA. Publicada pela Hispanic Society of America.

• William C. Atkinson, Harmondsworth, 1952
Primeira tradução em prosa. Atkinson era professor de estudos hispânicos em Glasgow.

• Hugh Finn, 1972
Tradutor natural da Rodésia. Tradução versificada a partir da tradução em prosa de Atkinson.

• Landeg White, Oxford, 1997

Há uma outra tradução que, apesar de incompleta, costuma ser incluída na lista de traduções importantes de Os Lusíadas:

• Edward Quillinan, com notas de John Adamson, Londres, 1853
Apenas os 5 primeiros cantos.

Aos poucos espero saber mais a respeito de cada uma dessas traduções, embora o meu foco principal seja a tradução de Mickle.

Dr. Johnson: Ye Olde Cheshire Cheese

Minha querida amiga Kyky, leitora deste blog, enviou-me estas fotos, de uma viagem recente a Londres.

Na verdade ninguém sabe dizer ao certo se o Dr. Johnson frequentava ou não o Ye Olde Cheshire Cheese. Esse pub não é mencionado nenhuma vez no Life of Johnson, por exemplo. Mas, de qualquer forma, é verdade que Johnson morou, por muito tempo, na Fleet Street (mais precisamente, na Gough Square), e gostava de frequentar os pubs e tavernas de lá.

Fleet St.

Além disso, o Ye Olde Cheshire Cheese (145 Fleet St) procura preservar a atmosfera dos velhos pubs londrinos. Dizem que Mark Twain, G. K. Chesterton, Charles Dickens e Arthur Conan Doyle – entre outras celebridades - eram frequentadores habituais.

Eis a placa indicando aquele que seria o banco favorito do Dr. Johnson:

EU1762

O banco de Johnson fica juntinho à lareira:

DSC09073

Mais algumas fotos do interior do Ye Olde Cheshire Cheese:

Olha o Dr. Johnson lá no fundo!

Dá pra imaginar o Dr. Johnson e seus amigos conversando num lugar como esse, falando mal de todo mundo e dando boas risadas…

Na Wikipedia há um retrato muito interessante, com alguns dos membros do The Club, o clube literário do qual Johnson fazia parte. Clicando na gravura vocês podem chegar a essa página da Wikipedia e ver quem era quem. Boswell é o primeiro a partir da esquerda; Johnson é o segundo.

JoshuaReynoldsParty Um detalhe interessante é que, depois da juventude, Johnson parou de tomar bebidas alcoólicas. Ele era, então, como meu avô, um boêmio que não tomava álcool. (Meu avô, João Santana, fez parte do grupo da revista modernista “Madrugada”, de Porto Alegre – um dia desses falarei mais sobre ele.) Como eu, Johnson era viciado em chá. (Meu avô preferia o café.) Mas acho que o mais importante era mesmo a conversa com os amigos!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alguns tópicos em "Life of Johnson" - Parte 2

2) LITERATURA E TRADUÇÃO

Uma questão sobre poesia que sempre se discutia na época de Johnson era quais temas eram considerados apropriados. Johnson comenta sobre “The Fleece” (A Lã), de John Dyer: “Não há como tornar esse assunto poético. Como se pode escrever poeticamente sobre sarja e droguete?” Comentando sobre “Sugar-Cane”, de James Grainger, ele diz que não é possível se escrever poesia sobre cana de açúcar. Se fosse, por que não poderíamos escrever também sobre um canteiro de salsa, ou “A Horta de Repolhos, um Poema”?

Essas frescuras de “tema apropriado” e “decoro” eram típicas do neoclassicismo, que ainda exercia forte influência na época de Johnson e Mickle. Homero ou Camões não eram tão “delicados” quanto os neoclássicos. Por isso, nos séculos XVII e XVIII, os tradutores precisavam expurgar os clássicos de suas “grosserias”. Eu já havia comentado sobre isto aqui (Fitzgerald eliminando do Rubaiyat as referências a “pernas de cordeiro”; De La Motte cortando metade da Ilíada em sua tradução). Mickle, com certeza, fez isso com Camões, também. Falaremos sobre isso, um dia.

Sobre tradução, Boswell diz que não sabe defini-la nem compará-la a nada, mas que acha que a tradução de poesia só poderia ser imitação. Johnson replica: “Pode-se traduzir livros de ciência com exatidão. Pode-se também traduzir história, desde que esta não esteja adornada com oratória, que é poética. A poesia, com efeito, não pode ser traduzida e, portanto, são os poetas que preservam as línguas; pois nós não nos daríamos ao trabalho de aprender uma língua se pudéssemos ler tudo o que foi escrito igualmente bem em uma tradução. Mas, como as belezas da poesia não são preservadas em qualquer outra língua além daquela em que foi escrita originalmente, nós aprendemos a língua”.

Outra conversa sobre tradução no grupo de Johnson:

Johnson: “Devemos avaliar o seu efeito como um poema inglês; é assim que se julga o mérito de uma tradução. Traduções são, em geral, para pessoas que não conseguem ler o original.” Boswell menciona a “opinião vulgar” de que o Homero de Pope não é uma boa representação do original. Johnson replica: “É o melhor trabalho que já foi produzido no gênero”. Boswell: “A verdade é que é impossível traduzir poesia com perfeição. Em uma língua diferente, podemos ter a mesma melodia, mas não o mesmo tom. Homero toca fagote; Pope, flajolé”. Harris (James Harris, político e gramático de Salisbury) acrescenta: “Acho que poesia heroica fica melhor em versos brancos; mas parece que o ritmo é essencial à poesia inglesa”.

Sobre os elementos pagãos das odisseias antigas (um tema que me interessa de perto), Johnson comenta: “O maravilhoso pagão não nos interessa: quando uma deusa aparece em Homero ou Virgílio, nós ficamos entediados; é pior ainda nas tragédias gregas, pois nesse tipo de composição é necessária uma maior aproximação com a natureza”. Apesar disso, ele via boas razões para que esse tipo de obra fosse lido, pela fertilidade da imaginação, a beleza do estilo e da expressão, assim como a curiosidade de entender o que encantava as pessoas naqueles países e naquela época. Mas “é evidente que ninguém que escreve agora pode usar as divindades e a mitologia pagãs”. Compreende-se, então, que o neoclassicismo estranhe tanto a mistura, em Camões, dos elementos pagãos e cristãos e que, nas traduções, procure suavizar a influência pagã. Por isso Mickle dedicou várias páginas da dissertação que acompanha a tradução de Os Lusíadas a explicar a presença dos elementos pagãos no poema e responder àqueles que criticavam essa presença – principalmente Voltaire.

Todos esses pontos que destaquei confirmam as impressões que eu já havia formado sobre o gosto da época.

Last but not least, Mickle. Ele é mencionado quatro vezes por Boswell em Life of Johnson. Em duas dessas vezes, Boswell se refere a ele como “Mr. Mickle, o tradutor de Os Lusíadas”, e em outra vez como “Mr. Mickle, o excelente tradutor de Os Lusíadas”. A primeira, a segunda e a quarta dessas menções são rápidas, do tipo “fui com Mr. Mickle à casa de fulano” ou “passei a tarde na casa de sicrano com Mr. Mickle”. A terceira menção é mais longa, consistindo em trechos de uma carta de Mickle escrita a Boswell alguns meses antes da morte de Mickle e vários anos após a morte de Johnson. Nessa carta, Mickle conta que conviveu com Johnson durante 12 anos e que Johnson sempre o tratou com muita amabilidade. Mickle relata uma discussão que tivera com Johnson durante a tradução de Os Lusíadas. Johnson dissera a Mickle: “Teria sido melhor para o mundo se o seu [Vasco da] Gama, o seu príncipe Henrique de Portugal e Colombo nunca houvessem nascido, e seus planos não tivessem ido mais longe do que suas próprias imaginações”. Mickle diz que foi essa declaração de Johnson que o estimulou a escrever a sua longa (longuíssima!) Introdução à tradução de Os Lusíadas, na qual, inclusive, cita essa mesma discussão e a frase de Johnson. Quando a tradução foi publicada, o Dr. Johnson comentou com Mickle: “O senhor se lembrou da nossa discussão sobre o príncipe Henrique, e também me citou. O senhor cumpriu a sua parte muito bem, com efeito: desenvolveu o seu argumento da melhor forma possível; mas ainda não estou convencido”.

Mickle conta também que o Dr. Johnson lhe teria dito, em 1772, que, cerca de 20 anos antes, ele próprio havia pensado em traduzir Os Lusíadas, obra em que via grande mérito, mas fora impedido devido a outros compromissos.